Menu
Saúde

Pasteurização do leite materno assegura segurança para recém-nascidos

Bancos de leite humano no DF seguem protocolos rigorosos de inspeção e processamento para garantir nutrição segura a bebês prematuros e de baixo peso.

Redação Jornal de Brasília

26/03/2026 10h04

pasteurizaçao

Cada lote do produto doado passa por rigorosa inspeção e tratamento nos bancos de leite humano do DF | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF

O leite materno doado passa por um processo meticuloso nos bancos de leite humano para chegar aos recém-nascidos internados com segurança e nutrição adequadas. Diferente do que se imagina, o produto não vai diretamente da doadora para a unidade neonatal, mas atravessa etapas técnicas que preservam suas propriedades.

“Quando recebemos o leite, sabemos que ali existe um gesto de solidariedade que pode mudar histórias”, afirma Graça Cruz, coordenadora do Centro de Referência em Banco de Leite Humano do DF. “Nosso trabalho é assegurar que ele mantenha suas propriedades e seja oferecido com total segurança aos bebês.”

A inspeção inicial avalia a integridade da embalagem, a presença de impurezas e as condições de armazenamento, incluindo a temperatura de congelamento desde a coleta. O leite cru pode ficar congelado por até 15 dias, mas deve chegar ao banco em no máximo dez dias. “Controlar a temperatura desde a casa da doadora até o processamento é fundamental para preservar as características do leite”, reforça Graça Cruz.

Após a triagem, o leite selecionado é descongelado a 40°C e mantido refrigerado a 5°C. Amostras são submetidas a exames físico-químicos, como a medição da acidez Dornic para verificar aptidão à pasteurização, e o crematócrito, que determina o valor calórico para definir dietas.

Um exemplo é o caso de Benício, nascido prematuro com 35 semanas e 1,8 kg no Hospital Regional de Ceilândia. “Nem sempre a gente consegue produzir leite o suficiente, então esse gesto fez toda diferença para a saúde do meu filho”, relata a mãe, Maria Vitória de Medeiros, 24 anos.

Aprovado nas análises, o leite é reenvasado em frascos esterilizados e pasteurizado a 62,5°C por 30 minutos, método definido por estudos há mais de 40 anos para eliminar 99,9% dos microrganismos que ameaçam prematuros e bebês de baixo peso. Após o processo, o leite é distribuído conforme prescrição médica e nutricional, evitando desperdícios – um frasco de 250 ml pode atender até dez bebês.

O Distrito Federal possui 14 bancos de leite humano e sete postos de coleta, com a Secretaria de Saúde (SES-DF) gerenciando dez bancos e três postos. Esses locais processam, pasteurizam e distribuem o leite, além de orientar sobre amamentação. Em 2025, a Rede de Bancos de Leite Humano do DF atendeu 16,9 mil recém-nascidos. Para doar, ligue para 160, opção 4, ou acesse o portal Amamenta Brasília.

Com informações da Secretaria de Saúde.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado