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Saúde

Paciente supera tetraplegia e reaprende a andar em Taguatinga

Adriano Sousa, de 39 anos, recuperou movimentos após complicações intestinais graves que levaram a paradas cardiorrespiratórias e edema cerebral.

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 12h04

paciente volta a andar na policlínica de taguatinga. foto matheus oliviera agência saúde df (2)

Adriano Veras Sousa ficou meses internado, sem poder se mexer nem se comunicar; ele conta que sua maior vontade era voltar a estar com a família | Fotos: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF

Adriano Veras Sousa, de 39 anos, motorista residente em Samambaia, superou uma tetraplegia causada por complicações intestinais graves em outubro de 2024. Após 12 dias com o intestino preso, ele deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia e foi encaminhado ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT) para cirurgia de desobstrução. Seu quadro piorou inesperadamente, resultando em perda gradual dos movimentos abaixo do pescoço, necessidade de traqueostomia, paradas cardiorrespiratórias e edema cerebral.

Durante meses internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRT, Adriano permaneceu consciente, mas incapaz de falar, andar, comer ou beber água. Ele se comunicava apenas por ruídos, e a equipe médica oferecia conforto, como proteção contra o frio e mudanças de posição. Em seus pensamentos, focava na família – mãe, esposa e filho –, motivando sua determinação de sobreviver e voltar a jogar bola com o filho.

Com o apoio inabalável da família e dos profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Adriano iniciou um processo de reabilitação que o levou a reaprendê-lo a falar, se alimentar sozinho, ir ao banheiro e realizar tarefas simples, como escolher seriados na TV ou fazer um Pix no celular. Atualmente, na Policlínica de Taguatinga, ele já consegue dar os primeiros passos, apesar de limitações.

A equipe médica, incluindo o fisioterapeuta Hudson Azevedo Pinheiro, especializado em fisioterapia neurofuncional, expressa surpresa com os resultados. Um exame de eletroneuromiografia recente mostrou baixa capacidade de ativação muscular, especialmente nas pernas, mas, há cerca de duas semanas, Adriano foi colocado em pé e andou alguns passos. Talas estão sendo preparadas para auxiliar sua caminhada, com pequenas vitórias em cada sessão de reabilitação.

Em paralelo, no Hospital de Apoio de Brasília (HAB), uma equipe investiga possíveis causas genéticas ou autoimunes para o quadro que desencadeou a obstrução intestinal, o edema cerebral e as paradas cardiorrespiratórias. Acompanhado por pai, mãe, irmão, esposa e filho em todas as visitas, Adriano valoriza agora as pequenas coisas, como tomar banho de chuveiro, após mais de um ano sem essa simplicidade.

Embora não seja possível prever se ele voltará a andar longas distâncias, dirigir ou participar ativamente de atividades como futebol, Adriano está em casa, vivo e ao lado da família, celebrando sua superação.

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