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Saúde

O que é síndrome de Guillain-Barré, diagnosticada em mulher que usou tirzepatida do Paraguai?

Em posts publicados nos stories do Instagram, a filha contou que a paciente foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré.

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 11h07

o que é síndrome de guillain barré, diagnosticada em mulher que usou tirzepatida do paraguai

Foto: Redes Sociais

Uma mulher de 42 anos, moradora de Belo Horizonte (MG), está internada desde dezembro após complicações decorrentes do uso da caneta Lipoless, conhecida popularmente como “Mounjaro do Paraguai”, segundo relato de familiares nas redes sociais. Em posts publicados nos stories do Instagram, a filha contou que a paciente foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré.

A caneta Lipoless é anunciada como tirzepatida e produzida por uma indústria farmacêutica do Paraguai. O medicamento, no entanto, não possui autorização para comercialização e uso no Brasil, conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O grau de confiabilidade desses produtos é baixo e constitui risco à saúde pública”, ressaltou Alexandre Hohl, endocrinologista e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em reportagem recente do Estadão sobre os produtos paraguaios.

Mas, afinal, o que é a síndrome de Guillain-Barré? Confira mais informações sobre o quadro.

A síndrome

A síndrome de Guillain-Barré é considerada um distúrbio autoimune raro – a incidência anual é de um a quatro casos a cada 100 mil habitantes – e ocorre quando o próprio organismo ataca o sistema nervoso periférico.

Segundo o Ministério da Saúde, a causa mais comum é a infecção pela bactéria Campylobacter, mas zika, dengue, chikungunya, sarampo e influenza A, entre outros, também podem desencadear o quadro.

Os sinais e sintomas da doença são variados, diferindo de pessoa para pessoa, e costumam se manifestar semanas após a infecção. Eles incluem: sonolência, confusão mental, perda da coordenação muscular, visão dupla, tremores, redução ou perda do tônus muscular e dormência, queimação ou coceira nos pés e nas pernas e, posteriormente, nos braços, mãos e tórax.

“Geralmente começa com formigamento e dormência e evolui para fraqueza muscular progressiva”, explica Julio Croda, infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Em cerca de 50% dos casos, há registro de dor neuropática lombar, que pode envolver nervos, medula espinhal ou cérebro.

Em quadros mais graves, a doença pode ainda comprometer a respiração e o sistema gastrointestinal, com sinais como falta de ar, dificuldade para engolir e fraqueza facial. Aproximadamente 5% a 15% dos casos podem evoluir para óbito, de acordo com o ministério.

A orientação, em caso de suspeita da síndrome, é procurar atendimento médico com urgência para garantir assistência adequada e evitar complicações como infecções pulmonares e sepse

“Quando o sistema respiratório não é acometido, os casos tendem a ser mais leves e com menor risco de sequelas”, explica Croda.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento geralmente é realizado com uso de imunoglobulina intravenosa e plasmaférese, de forma a normalizar o sistema imunológico do paciente a partir de anticorpos saudáveis de doadores de sangue e plasma.

Também é indicada a reabilitação com fisioterapia, com o objetivo de acelerar a recuperação e reduzir complicações associadas à doença, bem como possíveis danos neurológicos a longo prazo.

Relação com as canetas

Segundo Croda, a síndrome de Guillain-Barré é mais frequentemente associada a infecções virais, não a medicamentos específicos, e não é possível estabelecer uma relação direta entre o quadro e os análogos de GLP-1. No entanto, o cenário é diferente quando se trata de canetas irregulares.

“Esses medicamentos não regulamentados podem conter impurezas e contaminações importantes e, aí sim, pode existir essa relação específica com a síndrome, especialmente se o produto estiver contaminado com algum tipo de bactéria ou vírus”, afirma.

Para o infectologista, é necessário compreender melhor a composição desses produtos irregulares para confirmar ou descartar a relação.

Estadão Conteúdo.

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