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Saúde

Mortes por câncer colorretal no Brasil devem triplicar até 2030

Estudo projeta 127 mil óbitos entre 2026 e 2030, contra 57,6 mil no período anterior, impulsionados por envelhecimento e hábitos nocivos.

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 17h09

câncer colorretal

Foto: Reprodução

Um estudo publicado na revista The Lancet Regional Health Americas estima que as mortes por câncer colorretal no Brasil aumentarão quase três vezes no período de 2026 a 2030, alcançando cerca de 127 mil óbitos, em comparação com 57,6 mil registrados entre 2001 e 2005. O aumento projetado é de 181% entre os homens e 165% entre as mulheres. Considerando o intervalo completo de 2001 a 2030, o total de mortes deve ultrapassar 635 mil.

De acordo com a pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Marianna Cancela, o crescimento na mortalidade acompanha o aumento nos casos da doença, que é o segundo tipo de câncer mais incidente e o terceiro mais letal no país. Fatores como o envelhecimento da população, consumo excessivo de ultraprocessados e sedentarismo contribuem significativamente para esse cenário. Além disso, Cancela destaca que esses riscos estão surgindo mais cedo, inclusive em crianças e jovens, levando a um aumento de diagnósticos em pacientes mais novos.

Outro elemento agravante é o diagnóstico tardio, que afeta cerca de 65% dos casos, geralmente em estágios avançados. Isso ocorre porque a doença não apresenta sintomas iniciais evidentes e há dificuldades de acesso a assistência adequada, especialmente em regiões remotas e menos desenvolvidas. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de reduzir desigualdades regionais e implementar programas de rastreamento com exames preventivos para detectar a doença precocemente, além de priorizar o diagnóstico e tratamento em casos sintomáticos.

A pesquisa também avalia os custos sociais e econômicos associados. Em média, as mulheres perdem 21 anos de vida e os homens, 18 anos devido à doença. No total, entre 2001 e 2030, estima-se 12,6 milhões de anos potenciais de vida perdidos e Int$ 22,6 bilhões em perdas de produtividade, medidos em dólares internacionais para comparações internacionais. Marianna Cancela ressalta que esses dados destacam a dimensão do impacto na sociedade e servem de base para políticas públicas em prevenção, rastreamento e tratamento.

Há diferenças regionais marcantes: as regiões Sul e Sudeste, mais populosas e com maior proporção de idosos, concentram cerca de três quartos das mortes e sofrem o maior impacto econômico. No entanto, os maiores aumentos relativos na mortalidade e perdas de produtividade são esperados no Norte e Nordeste, atribuídos a indicadores socioeconômicos e de infraestrutura inferiores, além da adoção crescente de hábitos nocivos como piora na alimentação, aumento no consumo de álcool e inatividade física. O tabagismo é o único fator de risco em declínio.

Os autores do estudo defendem a promoção de estilos de vida saudáveis como estratégia primordial para prevenir o câncer colorretal e outras doenças crônicas, embora reconheçam os desafios para sua implementação como política pública.

*Com informações da Agência Brasil

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