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Saúde

Ministério qualifica agentes indígenas para vacinar gestantes contra VSR

Mais de 260 profissionais foram capacitados nos DSEI da Bahia, Ceará e Pernambuco para proteger bebês por meio da imunização materna nas aldeias.

Redação Jornal de Brasília

06/02/2026 18h00

Foto: Alejandro Zambrana/MS

Foto: Alejandro Zambrana/MS

O Ministério da Saúde qualificou pelo menos 260 Agentes Indígenas de Saúde (AIS) dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) da Bahia, Ceará e Pernambuco para acolher e orientar gestantes indígenas a partir da 28ª semana de gestação. Essas profissionais estão aptas a receber a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos.

A capacitação forneceu informações sobre imunização e estratégias para identificação, prevenção e orientação sobre o VSR. A vacinação materna promove a transferência de anticorpos para o bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, período de maior vulnerabilidade ao vírus. O trabalho será realizado diretamente nas aldeias, integrado à rotina de atendimento primário dos profissionais de saúde indígena.

Os AIS desempenham papel central nas comunidades, vivendo nas aldeias onde atuam e servindo como elo entre a informação técnica e a realidade local, graças à confiança dos moradores. A vacina contra o VSR começou a ser distribuída nos territórios indígenas em dezembro de 2025 e está inserida no calendário nacional de vacinação para gestantes, indicada a partir da 28ª semana, sem restrição de idade. A meta da Secretaria de Saúde Indígena é vacinar 100% das gestantes incluídas no Sistema de Informações da Atenção à Saúde Indígena.

Segundo a diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena (DAPSI), Putira Sacuena, essas qualificações aproveitam o senso de integração e cuidado coletivo das comunidades indígenas para fortalecer a prevenção e o acolhimento. “As comunidades indígenas têm um forte sentido de integração e cuidado coletivo, e é justamente esse fator que potencializamos com qualificações como essa. Ao fortalecer o papel dos Agentes Indígenas de Saúde, ampliamos a prevenção, o acolhimento e a proteção das gestantes e das crianças frente a doenças que ameaçam os territórios, como o Vírus Sincicial”, afirmou.

O coordenador do DSEI Bahia, Flavio Kaimbé, destacou a essencialidade dos AIS para levar a proteção às comunidades. “O trabalho dos nossos AIS é essencial para fazer essa proteção chegar na ponta. É o AIS que conhece profundamente seu território, realiza a orientação contínua das famílias, acompanha as demandas locais e fortalece os vínculos entre a comunidade e as equipes multidisciplinares de saúde. Por isso, a importância de apoiar e valorizar quem ajuda a construir o cuidado integral na perspectiva da atenção primária.”

Já o coordenador do DSEI Ceará, Lucas Guerra, enfatizou a importância das parcerias entre distritos. “Parcerias que envolvem vários DSEI são muito fundamentais porque possibilitam a troca de experiência, o fortalecimento das ações e o pensar da saúde indígena sob uma perspectiva global”, disse.

Juntos, os DSEI Bahia, Ceará e Pernambuco acompanham 1.199 gestantes, com a maioria realizando seis ou mais consultas pré-natal: 68,3%, 94,2% e 88,4%, respectivamente. Além da vacinação, o cuidado se estende às consultas de pré-natal.

A vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Em novembro de 2025, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou uma parceria de transferência de tecnologia, permitindo a produção nacional do imunizante. Sua distribuição aos estados e municípios organiza calendários locais de aplicação em unidades básicas de saúde e pontos de vacinação.

O imunizante tem potencial para prevenir cerca de 28 mil internações por ano, beneficiando aproximadamente 2 milhões de bebês nascidos vivos com proteção imediata aos recém-nascidos. A cada cinco crianças infectadas pelo VSR, uma necessita de atendimento ambulatorial, e, em média, uma em cada 50 é hospitalizada no primeiro ano de vida. No Brasil, cerca de 20 mil bebês menores de um ano são internados anualmente devido ao vírus.

Com informações do Governo Federal

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