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Saúde

Ministério da Saúde vai formar 760 especialistas em enfermagem obstétrica no país

Com R$ 17 milhões investidos, o curso Rede Alyne prioriza profissionais em áreas interiorizadas para reforçar a atenção à saúde da mulher e do recém-nascido.

Redação Jornal de Brasília

06/02/2026 13h17

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Saúde investiu R$ 17 milhões na formação de 760 profissionais por meio do curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica – Rede Alyne, com o objetivo de fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no Sistema Único de Saúde (SUS).

A especialização lato sensu iniciou em novembro de 2025, na modalidade presencial, em 38 sedes vinculadas a Instituições de Ensino Superior (IES) e Escolas de Saúde Pública (ESP). O curso é direcionado a enfermeiros e enfermeiras com pelo menos um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS.

O processo seletivo recebeu 3.945 inscrições e aprovou 760 candidatos, com 94% de mulheres. Houve priorização de candidaturas de profissionais atuando em territórios interiorizados, promovendo equidade e ampliação do acesso à formação especializada. Os aprovados estão distribuídos em todas as regiões do país, com maior concentração no Nordeste (264, ou 35%), seguido do Sudeste (150, ou 20%), Norte (133, ou 18%), Sul (117, ou 15%) e Centro-Oeste (96, ou 13%). Eles atuam em 368 municípios, incluindo presença nos nove estados da Amazônia Legal, com 194 vagas em 11 IES.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com 38 instituições, e conta com o apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo). A carga horária é de 720 horas, com duração estimada de 16 meses, e turmas presenciais em todos os estados brasileiros.

No Brasil, há cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mas apenas 46% (6.247) possuem vínculo com estabelecimentos de saúde no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), evidenciando a carência na área. Em comparação, países com modelos centrados na enfermagem obstétrica têm densidade de 25 a 68 profissionais por mil nascidos vivos, contra 5 no Brasil, segundo dados da Abenfo de 2023.

Dos aprovados, 58,9% estão vinculados à Atenção Primária à Saúde (APS), incluindo territórios tradicionais; 34,5% a maternidades e Centros de Parto Normal; 4,1% a hospitais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh); e 2,5% a Escolas de Saúde Pública e IES ligadas a Centros de Excelência em Enfermagem Obstétrica (CEEO).

“Essa formação é mais uma ação do Ministério da Saúde para levar mais especialistas para áreas com carência de profissionais. Ao mesmo tempo, também contribui para o fortalecimento da Rede Alyne e da reestruturação do modelo de atenção à saúde da mulher e do recém-nascido no país”, afirma o secretário da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Felipe Proenço.

A iniciativa reforça o compromisso em regionalizar e interiorizar a atenção obstétrica e neonatal, contribuindo para a reestruturação do modelo de cuidado à saúde da mulher e do recém-nascido.

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