O Ministério da Saúde apresentou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido para incluir a vacina contra herpes-zóster no sistema público de saúde, mas a solicitação foi reprovada devido ao alto custo e à oferta limitada de doses pela fabricante. A decisão reflete critérios técnicos como segurança, eficácia e custo-benefício para a população brasileira.
A proposta analisada considerava um valor elevado apresentado pela empresa produtora, além de apenas 1,5 milhão de doses por ano, destinadas inicialmente ao público acima de 80 anos. Essa quantidade é insuficiente mesmo para esse grupo etário e se torna ainda mais restrita ao considerar que a vacina é indicada para pessoas com mais de 50 anos, abrangendo cerca de 60 milhões de brasileiros. Para cobrir toda essa população, o custo estimado seria de aproximadamente R$ 50 bilhões, valor equivalente a dez vezes o investimento anual do governo federal no programa Farmácia Popular.
Apesar da reprovação, o Ministério da Saúde afirma que a discussão não está encerrada e continua negociando com potenciais produtores para garantir uma oferta em escala e preços compatíveis com a sustentabilidade do SUS. “Quando se trata da incorporação de uma vacina ao SUS, estamos falando de uma política pública voltada a dezenas de milhões de pessoas. O Ministério da Saúde tem interesse em incorporar a vacina contra a herpes-zóster e seguirá negociando com os produtores para garantir uma proposta sustentável, com oferta em quantidade suficiente e a um custo justo para o SUS e a população”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Essa iniciativa faz parte da política de ampliação do acesso à vacinação da atual gestão, que, em um ano, incorporou imunizantes de alto custo como as vacinas contra bronquiolite e meningite ACWY.
A herpes-zóster, também conhecida como cobreiro, é uma infecção causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado, especialmente em idosos ou pessoas com sistema imunológico comprometido, como portadores de câncer, HIV/Aids, transplantados ou com doenças crônicas. O SUS oferece tratamento adequado para a doença, com foco na redução de sintomas e prevenção de complicações.