O Ministério da Saúde lançou três Chamadas Públicas para financiar pesquisas estratégicas que visam fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e impulsionar a produção científica nacional. Com um investimento total de R$ 57 milhões, as iniciativas focam em temas como terapias avançadas, inovação em vacinas e saúde das mulheres. As propostas, destinadas a pesquisadores doutores vinculados a instituições científicas, tecnológicas e de inovação, podem ser submetidas até 23 de fevereiro no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), parceiro da ação.
De acordo com Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, as chamadas estimulam o desenvolvimento de novas tecnologias na área da saúde, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores e a uma assistência qualificada no SUS. “Investir em pesquisa, inovação e no fortalecimento do SUS é um compromisso permanente do Ministério da Saúde. Com isso, avançamos na promoção de novos tratamentos, no fortalecimento da ciência nacional e na ampliação do acesso à saúde para toda a população do país”, destacou.
Uma das chamadas destina R$ 12 milhões para o desenvolvimento de vacinas inovadoras e plataformas tecnológicas contra doenças emergentes e endêmicas, como dengue, Zika, chikungunya e oropouche. O recurso apoiará pesquisas em estágios pré-clínicos e clínicos iniciais, visando estimular a produção científica nacional e reduzir a dependência externa em imunizantes.
Outra iniciativa, com R$ 30 milhões, concentra-se em terapias avançadas e saúde de precisão, incluindo terapias gênicas e celulares, engenharia tecidual e vetores virais. Integrada ao Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão, a chamada apoia pesquisas aplicadas, projetos de recém-doutores e ações de capacitação, contribuindo para a sustentabilidade do SUS.
Por fim, R$ 15 milhões serão investidos em pesquisas para a saúde das mulheres, com ênfase em câncer de mama, colo do útero, colorretal e mortalidade materna evitável – 92% dos casos considerados preveníveis. Os projetos priorizarão diagnóstico precoce, qualificação da assistência, ampliação da cobertura vacinal contra HPV e organização de redes de atenção, incorporando tecnologias como inteligência artificial, telepatologia e telecolposcopia.
Meiruze Freitas, diretora de Ciência e Tecnologia (Decit), enfatizou a importância de estratégias de tradução do conhecimento, como educação, divulgação e popularização científica, para garantir impacto concreto no SUS. “O objetivo é que o conhecimento gerado chegue à ponta, apoiando gestores, profissionais de saúde e usuários”, ressaltou. As chamadas incentivam a equidade, inclusão de recortes étnico-raciais e de gênero, territorialização, participação de recém-doutores e cooperações em redes nacionais e internacionais.