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Saúde

Ministério da Saúde inicia tafenoquina pediátrica contra malária no SUS

Brasil se torna o primeiro país a oferecer o medicamento para crianças de 10 a 35 kg, com foco inicial em territórios indígenas

Redação Jornal de Brasília

05/03/2026 16h05

sus

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Saúde iniciou a oferta de tafenoquina pediátrica de 50 mg no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando o Brasil o primeiro país do mundo a disponibilizar o tratamento para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. Até então, desde 2024, o medicamento era fornecido apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos. O público infantil representa cerca de 50% dos casos de malária no país.

Serão distribuídos 126.120 comprimidos, com investimento de R$ 970 mil, de forma gradual e priorizando áreas da região Amazônica, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). O primeiro território contemplado é o DSEI Yanomami, que receberá 14.550 comprimidos. Outras áreas de alta incidência, como Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes, concentram cerca de 50% dos casos em crianças e jovens até 15 anos.

A distribuição começou nessa segunda-feira (2), e o Ministério da Saúde promove treinamentos para profissionais de saúde, iniciando com 250 profissionais nos DSEI prioritários. O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, destacou o investimento em medicamentos eficazes e simples, visando reduzir os casos de malária e superar a emergência sanitária.

A tafenoquina pediátrica foi incorporada ao SUS pela Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, após registro na Anvisa. Indicada para malária por Plasmodium vivax, responsável por mais de 80% dos casos no Brasil, o medicamento é administrado em dose única, facilitando a adesão ao tratamento, eliminando o parasita completamente e prevenindo recaídas. Não é recomendado para grávidas ou em período de amamentação. Anteriormente, o tratamento exigia até 14 dias, o que dificultava a adesão em crianças.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Mariângela Batista Galvão Simão, enfatizou a importância de levar o medicamento aos territórios indígenas para reduzir a transmissão. Com cobertura elevada, estima-se a possibilidade de evitar até 20 mil casos da doença.

A malária é um desafio na região Amazônica, especialmente em áreas remotas e indígenas. Em 2024, o território Yanomami foi o primeiro a receber a tafenoquina de 150 mg para maiores de 16 anos. Entre 2023 e 2025, no mesmo território, houve aumento de 103,7% nos testes, 116,6% nos diagnósticos e redução de 70% nos óbitos.

Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com redução de 15% em relação a 2024 e de 16% em áreas indígenas. Os casos por Plasmodium falciparum caíram 30%. A iniciativa integra o Programa Brasil Saudável e segue recomendações da OMS, com ações como ampliação de testes rápidos e distribuição de mosquiteiros impregnados. As informações foram retiradas do Governo Federal.

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