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Saúde

Ministério da Saúde assina memorando com China para produção de hemoderivados

Parceria entre Hemobrás e Tiantan visa transferência de tecnologia para fortalecer a capacidade industrial brasileira e garantir acesso a medicamentos essenciais no SUS.

Pedro Nery

17/03/2026 19h41

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em missão oficial à China, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, articulou a assinatura de um Memorando de Entendimentos (MOU) entre a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a empresa Tiantan, maior produtora de hemoderivados da China e integrante do grupo Sinopharm. O ato ocorreu nesta terça-feira (17) e consolida um passo estratégico para garantir o acesso da população brasileira a diversos produtos de interesse do SUS, fomentando a produção de hemoderivados no país.

O memorando estabelece bases para futuras parcerias voltadas à transferência de tecnologia, inovação produtiva e ampliação da capacidade industrial brasileira no campo dos hemoderivados, medicamentos essenciais para pacientes com hemofilia, doenças autoimunes, condições crônicas e casos graves em unidades de terapia intensiva.

Para o ministro Alexandre Padilha, a assinatura representa um avanço estrutural na capacidade produtiva e tecnológica do país. “Essa parceria com uma das maiores produtoras de hemoderivados do mundo fortalece a Hemobrás, amplia nossa capacidade de produção e nos permite incorporar o que há de mais moderno na medicina. É um passo decisivo para garantir segurança aos pacientes do SUS e reduzir a dependência externa em tratamentos essenciais”, afirmou.

Padilha destacou o impacto estratégico da iniciativa em cenários de instabilidade global. “Produzir no Brasil significa proteger a vida da nossa população. Em momentos de crise, como pandemias ou oscilações internacionais, quem depende de importação sofre. Com tecnologia, inovação e produção nacional, garantimos que esses medicamentos cheguem de forma contínua a quem mais precisa, salvando vidas e fortalecendo o SUS”, completou.

A presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes, avaliou a assinatura como um marco para o fortalecimento da produção nacional de medicamentos estratégicos. “É um passo estratégico para o fortalecimento da Hemobrás e da soberania produtiva do Brasil em hemoderivados. Estamos iniciando uma cooperação estruturante, que abre caminho para projetos conjuntos, transferência de tecnologia e possíveis parcerias, ampliando a capacidade nacional de produção e garantindo mais acesso a medicamentos essenciais para o SUS”, disse.

A iniciativa reforça o papel da Hemobrás como eixo central da política de autonomia produtiva do SUS. A estatal opera a maior planta de hemoderivados da América Latina e tem como missão reduzir a dependência externa desses insumos estratégicos, garantindo segurança no abastecimento e continuidade de tratamentos. Com a aproximação com a indústria chinesa, reconhecida por escala e inovação, o Brasil amplia sua capacidade de modernização tecnológica e acesso a equipamentos e insumos de última geração.

Durante a visita à unidade industrial da Tiantan, em Chengdu, a comitiva brasileira, com a presença da diretora-presidente da Hemobrás, Ana Paula Soter, conheceu processos produtivos avançados e modelos de integração tecnológica que poderão subsidiar a evolução da indústria nacional.

A parceria dialoga com as estratégias do Ministério da Saúde para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), além de se articular com o Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lançado em 2025 para acompanhar e avaliar produtos e tecnologias inovadoras prioritárias para a saúde pública.

No âmbito desse comitê, foi estruturado um grupo de trabalho para definir diretrizes brasileiras para serviços de saúde inteligentes, visando acelerar a avaliação e incorporação de novas tecnologias no SUS. A iniciativa terá papel central na viabilização da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes, incluindo a implementação de 14 hospitais ainda este ano.

“Estamos fazendo várias parcerias com hospitais ultraconectados que utilizam a inteligência artificial e tecnologias inovadoras que fazem com que o atendimento aconteça mais rápido, com mais qualidade. É isso que nós vamos levar para o Brasil, para o SUS, com a criação da rede de serviços e hospitais inteligentes no Brasil. Aprendemos muitas novas tecnologias, mas mais importante do que isso, saímos daqui com o compromisso de que esses hospitais, assim como o Banco dos BRICS, vão ajudar a desenvolver essas tecnologias no Brasil, fazer com que isso chegue aos pacientes do SUS para que a gente possa usar o que tem de mais moderno no mundo e salvar vidas no Brasil”, destacou Padilha.

A missão brasileira na China integra o esforço de reposicionamento do país no cenário global da saúde, com foco em inovação, soberania produtiva e ampliação do acesso a tecnologias de ponta.

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