Com a baixa umidade do ar, nariz e garganta estão entre as regiões mais afetadas pelo ressecamento. Ardência, irritação, formação de crostas, obstrução nasal e até sangramentos podem se tornar mais frequentes, e a lavagem nasal com soro fisiológico é uma das medidas indicadas para hidratar a mucosa e aliviar o desconforto.
A orientação é reforçada pelo médico otorrinolaringologista e preceptor da residência médica de Otorrinolaringologia do Hospital de Base, João Henrique Zanotelli dos Santos. Segundo ele, a higiene nasal com soro fisiológico ajuda a remover partículas, secreções e crostas, além de manter a mucosa hidratada.
Nariz e garganta são revestidos internamente por uma mucosa que precisa permanecer hidratada para funcionar adequadamente. Quando o ar está muito seco, essa camada perde umidade, fica mais ressecada e irritada, o que pode provocar crostas, pequenas fissuras e facilitar sangramentos, principalmente ao assoar ou cutucar o nariz. Pessoas com rinite também podem sentir piora de sintomas como espirros, coriza, coceira e nariz entupido.
A hidratação ao longo do dia também é apontada como importante para reduzir os efeitos da baixa umidade. Como referência geral, o médico cita cerca de dois litros de líquidos por dia, embora a necessidade varie conforme as características de cada pessoa.
Quem já convive com doenças respiratórias, como rinite, asma e enfisema, merece atenção adicional durante períodos mais secos. Nesses casos, é importante manter os cuidados habituais, seguir corretamente o tratamento prescrito e reforçar a higiene e a hidratação da mucosa nasal.
O especialista também alerta para a exposição à poeira e à fumaça, que podem aumentar a irritação das vias respiratórias. Em dias de umidade muito baixa, ele recomenda priorizar exercícios ao ar livre no início da manhã ou no fim da tarde, evitando os horários mais quentes e secos.
Na tentativa de aliviar o incômodo, algumas pessoas recorrem a soluções caseiras, mas o médico orienta cautela. Produtos que não foram formulados para uso nasal, como óleos, pomadas, água oxigenada e outras soluções caseiras, não devem ser colocados dentro do nariz. O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores também exige atenção, porque pode provocar efeito rebote e agravar a obstrução.
A umidificação dos ambientes também deve ser feita com cuidado. Métodos improvisados, como toalhas molhadas ou recipientes com água, são pouco controláveis. Se houver necessidade de aumentar a umidade do cômodo, a recomendação é usar um umidificador próprio, mantido corretamente higienizado e sem deixar o ambiente excessivamente úmido.
Pequenos episódios de sangramento nasal podem ocorrer por causa do ressecamento e, isoladamente, nem sempre são motivo de preocupação. No entanto, o quadro merece avaliação profissional quando o sangramento for volumoso, recorrente, surgir sem causa aparente ou não cessar após compressão adequada. Pessoas que usam anticoagulantes também precisam de atenção especial.
Outros sintomas não devem ser atribuídos automaticamente ao clima. Falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, dor intensa, secreção nasal persistente ou piora progressiva do quadro são sinais de alerta. De forma geral, quando os sintomas fogem do padrão habitual ou começam a interferir significativamente na rotina, é importante buscar avaliação profissional.
Em caso de sintomas persistentes ou agravamento do quadro, a população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação. Em situações de urgência, como falta de ar ou dificuldade para respirar, a recomendação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um serviço de emergência.