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Janeiro Branco: como reconhecer e ajudar em crises de ansiedade

Campanha anual enfatiza a importância do acolhimento imediato em emergências emocionais, que aumentaram no pós-pandemia.

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 9h15

Campanha Janeiro Branco acende o alerta sobre a importância de refletir sobre a saúde emocional | Fotos: Divulgação/IgesDF

Campanha Janeiro Branco acende o alerta sobre a importância de refletir sobre a saúde emocional | Fotos: Divulgação/IgesDF

Uma crise de ansiedade pode surgir inesperadamente, como aconteceu com Clara, uma jovem de 29 anos que, no meio do trabalho, começou a tremer, perdeu o ar e caiu em prantos. Uma colega a levou para um local mais calmo, incentivou respirações profundas e ficou ao seu lado até ela se acalmar. O que parecia um infarto era, na verdade, uma emergência emocional comum nos dias atuais.

No mês de janeiro, a campanha Janeiro Branco convida a sociedade a refletir sobre a saúde mental. Criada por psicólogos brasileiros, a iniciativa ganhou destaque global, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta o Brasil como um dos países com maior prevalência de transtornos de ansiedade. O nome da campanha remete à ‘folha em branco’, simbolizando a oportunidade de reavaliar emoções e escolhas de vida, combatendo o preconceito e o estigma em torno do adoecimento mental.

O período pós-pandemia agravou a situação, com interrupções nos serviços de saúde mental justamente quando a demanda aumentou. Segundo o psicólogo Igor Santiago Almeida, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), a covid-19 catalisou vulnerabilidades existentes e criou novas fontes de estresse, resultando em mais atendimentos em UPAs, Caps e Samu.

Uma crise psicológica é definida como um estado agudo de desequilíbrio emocional, manifestando-se por sintomas como respiração ofegante, taquicardia, tremores, sudorese, tontura, dor no peito, formigamento, choro intenso, agitação, confusão mental e medo de perda de controle. Muitas vezes, as pessoas confundem esses sinais com problemas físicos graves.

Para oferecer primeiros socorros psicológicos (PSP), intervenções imediatas que não substituem tratamentos profissionais, especialistas recomendam manter a calma e dizer ‘estou aqui com você’; reduzir estímulos ambientais, levando a pessoa para um lugar silencioso; ajudar na regulação da respiração com inspirações lentas; escutar sem julgamento; validar o sofrimento com frases como ‘vejo que você está sofrendo’; e reconectar ao presente descrevendo o ambiente.

Entre as atitudes a evitar estão minimizar o problema com expressões como ‘é exagero’ ou ‘frescura’; repetir ‘calma!’ de forma brusca; pressionar para falar ou decidir; oferecer conselhos não solicitados; demonstrar irritação ou pânico; ou tocar sem consentimento. Essas ações podem agravar a sensação de perda de controle.

Quando a crise evolui para emergência, com ideação suicida, confusão intensa, delírios ou risco de lesões, é essencial acionar o Samu (192) para urgências imediatas, UPAs para sofrimento intenso com sintomas físicos, Caps para acolhimento especializado em saúde mental, ou o CVV (188) para apoio emocional 24 horas.

A prevenção envolve reconhecer sinais precoces de esgotamento emocional, manter rotinas saudáveis, fortalecer laços sociais e buscar ajuda profissional. Almeida enfatiza que crises não são sinal de fraqueza, mas respostas a sofrimentos que superam a capacidade de coping, devendo ser tratadas como questões de saúde legítimas.

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