Menu
Saúde

Injeção semestral contra HIV terá preço definido até junho para venda no Brasil

Medicamento antirretroviral contra HIV aguarda definição de valor para entrar no mercado nacional

Redação Jornal de Brasília

10/04/2026 14h55

vacina

Foto: Agência Saúde DF

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

O lenacapavir, injeção semestral contra o HIV, terá um preço para comércio no Brasil até o início de junho. O medicamento é um antirretroviral de longa duração apontado como uma das principais apostas na prevenção do HIV.

No mês passado, a Gilead Sciences, farmacêutica responsável pela fabricação do medicamento, encaminhou à CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) o pedido de registro de valor máximo permitido para venda no país. Esse é o último passo para o produto, vendido sob o nome de Sunlenca, entrar no mercado nacional.

Em nota, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) diz que o prazo para resposta é 3 de junho.

A documentação encaminhada pela fabricante é chamada DIP (Documento Informativo de Preço). Nela, a farmacêutica informa o preço pretendido e apresenta dados que embasam a proposta, como valores praticados no exterior e comparações com terapias já disponíveis.

A CMED, então, fixa dois tetos, o preço de fábrica e o preço máximo ao consumidor, que passam a limitar a comercialização.

O caso do lenacapavir é singular. Sua entrada no Brasil ocorre em meio a uma preocupação sobre valores.

Nos Estados Unidos, o medicamento tem preço tabelado em US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil), podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil) em algumas situações.

A Gilead não disse à reportagem o valor de comércio sugerido à CMED, apenas afirmou que aguarda a conclusão do processo e “reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de soluções sustentáveis que viabilizem o acesso à inovação farmacêutica no mercado brasileiro”.

A definição do preço no Brasil levará em conta justamente essa lógica de comparação internacional, além da avaliação do ganho terapêutico em relação às alternativas existentes.

Pela regra de regulação, o valor aprovado não pode superar o menor preço observado em uma cesta de países de referência e pode ser ainda mais limitado caso o medicamento não represente avanço clínico significativo.

TRATAMENTO CHEGARÁ AO SUS?


O preço elevado do lenacapavir deve ser a principal barreira para sua inclusão ao SUS (Sistema Único de Saúde) e distribuição gratuita à população.

Porém, há possibilidade de acordos. A Gilead, por exemplo, firmou um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Farmanguinhos.

O intuito é avaliar alternativas de cooperação, “incluindo o potencial de uma futura transferência de tecnologia para fabricação do medicamento no país”, afirma a empresa. Na prática, o compartilhamento de tecnologia poderia reduzir custos de produção e tornar a fórmula mais acessível no Brasil.

Outra opção seria a fabricação da fórmula genérica, que, conforme estudo publicado na revista Lancet, poderia custar de US$ 25 a US$ 47 por ano (de R$ 135 a R$ 253). Isso, porém, não deve ocorrer no Brasil, uma vez que a Gilead não autorizou o país a fabricar versões genéricas do medicamento, como mostrou a Folha.

Desde o ano passado, a farmacêutica realiza acordos de licenciamento para a produção de fórmulas genéricas do lenacapavir —foram contemplados, até agora, 120 países considerados pela empresa os mais vulneráveis pela baixa renda da população. O Brasil não foi um deles. Nem será, segundo a farmacêutica.

Apesar disso, a Gilead tem colaborado para estudos sobre o medicamento no país, liberando doses gratuitamente. Um deles será conduzido pela própria Fiocruz.

Chamado ImPrEP LEN Brasil, o projeto vai disponibilizar o medicamento em sete cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ).

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado