Uma fratura na face, um tumor na mandíbula ou uma infecção grave que compromete as vias aéreas: problemas bucomaxilofaciais que afetam a qualidade de vida encontram atendimento na rede de odontologia do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).
Exemplo disso é o caso de Maria Lídia do Nascimento, de 51 anos, moradora de Valparaíso de Goiás. Ela buscou urgência no Hospital Regional do Gama com dor de dente intensa, mas foi diagnosticado um abscesso odontogênico avançado. Encaminhada para o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) em 23 de fevereiro, precisou ser internada devido ao risco às vias aéreas, agravado por sua diabetes. Agora, apresenta melhora significativa e elogia o tratamento humanizado.
“Desde que cheguei, fui acolhida com muita atenção. Os profissionais me tratam com respeito, explicam cada etapa e me dão segurança”, agradece a paciente.
No Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março e estabelecido pela Federação Dentária Internacional (FDI), o IgesDF reforça a importância da saúde oral como pilar da saúde geral. A boca, porta de entrada para o organismo, pode refletir ou provocar problemas sistêmicos e, muitas vezes, é negligenciada na rotina.
Os serviços de referência estão no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e no HRSM, que realizam procedimentos de média e alta complexidade, incluindo cirurgias ortognáticas para correção de ossos faciais, ressecção de tumores benignos, reconstruções ósseas, intervenções na articulação temporomandibular e implantes de próteses.
Pacientes chegam via Sistema de Regulação (Sisreg), a partir de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais regionais. No HBDF, há pronto-socorro 24 horas para traumas faciais e politraumatismos. Nos últimos 12 anos, o hospital realizou cerca de 30 cirurgias com próteses articulares, com média de quatro a sete por ano. Desde 2024, o uso de impressoras 3D no planejamento cirúrgico permite modelos ósseos em tamanho real, reduzindo tempo operatório e internação, conforme o chefe do serviço, Ricardo de Pádua Coelho.
O acompanhamento pós-operatório inclui UTIs, com integração a outras especialidades. No HRSM, o foco é em cirurgias eletivas, com cerca de 60 ortognáticas nos últimos cinco anos. Em 15 anos, o serviço expandiu de três para oito consultórios e de quatro para nove especialidades, tornando-se Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) tipo II.
A organização abrange Centro de Especialidades Odontológicas, Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Odontologia Hospitalar e Intensiva, e Radiologia Odontológica. Atendimentos incluem ambulatoriais, cirurgias reguladas e urgências. A chefe Érika Maurienn destaca a integração de tecnologia, qualificação e multiprofissionalismo para cuidado completo.
O HRSM possui ambulatório para pessoas com deficiência (PCD), referência para casos como transtorno do espectro autista (TEA), com procedimentos sob anestesia geral quando necessário. Conta com tomografia de feixe cônico e radiografia digital desde 2023, além de impressoras 3D. Na odontologia hospitalar, profissionais atuam em UTIs para prevenir pneumonia por ventilação mecânica, controlando biofilme oral e lesões de dispositivos. Anualmente, realizam 1.500 pareceres e atendem 40 pacientes por dia em UTIs.
“Trabalhamos de forma integrada com outras especialidades, garantindo segurança e continuidade”, afirma Érika Maurienn. O hospital oferece residências em áreas como anomalia dentofacial, radiologia e bucomaxilofacial, além de multiprofissional em UTI, e recebe estagiários.
Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Ceilândia I, Samambaia, Sobradinho, Núcleo Bandeirante e Recanto das Emas, o atendimento é exclusivo para urgências odontológicas. Apenas em 2025, registraram 8.605 atendimentos, como dores intensas, abscessos, fraturas dentárias e hemorragias. Após classificação de risco, pacientes vão ao consultório.
Francivaldo Soares, superintendente da Unidade de Atenção Pré-Hospitalar do IgesDF, explica que o serviço integra a Rede de Atenção às Urgências e Emergências. “Ao atender a urgência no momento certo, evitamos agravamentos e reduzimos a sobrecarga nos hospitais”, pontua.
Com atuação articulada entre hospitais e UPAs, o IgesDF assegura assistência contínua, ampliando o acesso a tratamentos especializados e respostas rápidas em saúde bucal no Distrito Federal.