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Saúde

Hospital Vila Nova Cachoeirinha continua sem realizar aborto legal em gestações acima de 22 semanas

Hospital retoma aborto legal, mas segue sem atender casos acima de 22 semanas

Redação Jornal de Brasília

27/03/2026 17h38

Hospital Vila Nova Cachoeirinha

Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Foto: Gabriel Moura

ANGELA BOLDRINI E GEOVANA OLIVEIRA
FOLHAPRESS


O Hospital Municipal e Maternidade Escola Doutor Mário de Moraes Altenfelder Silva, conhecido como Cachoeirinha, continua sem realizar aborto legal acima de 22 semanas de gestação. O procedimento foi recolocado na grade da Prefeitura de São Paulo na terça-feira (24), semanas após decisão judicial que determinou a retomada do procedimento.

Porém, profissionais da equipe de aborto legal do Cachoeirinha ouvidos pela Folha afirmam que o serviço adotou o protocolo de enviar mulheres que precisam de assistolia fetal —procedimento necessário para a interrupção acima de 22 semanas— para o Hospital da Mulher, que é administrado pelo estado.

Questionada sobre o motivo da decisão, a Secretaria Municipal de Saúde respondeu que “casos de alta complexidade serão encaminhados para o Hospital da Mulher”.

O Cachoeirinha era considerado um serviço de referência para abortos em idades gestacionais mais avançadas.

A gestão Ricardo Nunes afirma que o serviço foi interrompido para atender outras demandas de saúde reprodutiva, como cirurgias de endometriose.

Para suprir a demanda pelo procedimento, o Hospital da Mulher passou a receber casos de gestação avançada. Entretanto, segundo relatos à Defensoria Estadual de São Paulo, o hospital estadual está com dificuldade para atender todas as solicitações.

“Sendo o único hospital de referência para gestações avançadas do estado, eles não estão negando os atendimentos, mas, às vezes, estão com uma prolongação de agenda que não é o ideal”, diz a defensora Tatiana Bias Fortes, coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres. Quanto mais tarde é realizada a intervenção, mais complexo é o procedimento médico.

Uma das reivindicações pelo retorno do Cachoeirinha era para que pudesse haver um desafogamento no Hospital da Mulher. “Era um hospital muito de referência, a gente tinha ótimos retornos das mulheres que passaram lá”, diz a defensora.

O projeto Vivas, que auxilia mulheres no acesso ao direito reprodutivo, afirma que começará a direcionar os casos que recebe de volta ao Cachoeirinha. A partir de então, será analisado como está o tratamento da equipe e se ela permanece a mesma.

O aborto é permitido no Brasil quando a gestação é resultado de estupro, se há risco de morte para a gestante ou em casos de anencefalia fetal.

O Código Penal não estabelece limite de idade gestacional para o procedimento, mas há uma ofensiva no Congresso e no Conselho Federal de Medicina para tentar estabelecer um teto para interromper a gravidez.

Apesar da retomada do procedimento de aborto legal no Cachoeirinha, em decorrência da determinação judicial, a prefeitura ainda vai recorrer aos tribunais superiores para encerrá-lo novamente.

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