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Saúde

GDF expande rede de saúde mental com novos Caps e reforço de equipes

O Distrito Federal investe em 18 Centros de Atenção Psicossocial em operação e planos para mais cinco unidades, incluindo atendimentos 24 horas para dependentes químicos.

Redação Jornal de Brasília

30/03/2026 12h53

saude mental

Os Caps também oferecem atividades manuais que se tornam aliadas no cuidado com a saúde mental e na reconstrução de histórias de vida. Como o crochê feito em grupo na unidade do Itapoã, denominado grupo Linhaterapia | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O Governo do Distrito Federal (GDF) ampliou a rede pública de saúde mental com investimentos em estrutura, equipes e novas políticas para fortalecer o atendimento à população. Atualmente, o DF conta com 18 unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em funcionamento, distribuídas em todas as regiões de saúde, e prevê a construção de mais cinco, incluindo centros voltados ao público infantojuvenil e estruturas com atendimento 24 horas para usuários de álcool e outras drogas.

A expansão da rede também inclui planejamento para novas unidades a partir de 2027 e a ampliação da capacidade de atendimento, com estimativa de cobertura para mais de um milhão de pessoas. Houve reforço no quadro de profissionais, com nomeação de médicos psiquiatras, ampliação da carga horária de equipes e recomposição de especialistas como psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais.

Dados do Portal de Informações e Transparência da Saúde do DF registram cerca de 423,9 mil procedimentos feitos nos Caps entre 2019 e 2025, com crescimento acumulado de 393% no período — passando de 17,7 mil procedimentos em 2019 para 87,5 mil em 2024. Esse aumento reflete a ampliação da demanda por serviços de saúde mental na rede pública, especialmente no contexto pós-pandemia.

Para dar mais agilidade à gestão e fortalecer a política pública, o GDF criou, em 2025, a Subsecretaria de Saúde Mental, vinculada à Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). A medida permitiu avanços na organização da rede e na implementação de novas iniciativas, como o desenvolvimento de um sistema de monitoramento com uso de inteligência artificial para orientar o fluxo de pacientes e a criação do primeiro laboratório de inovação em saúde mental do país.

Segundo a subsecretária de Saúde Mental da SES-DF, Fernanda Falcomer, a rede tem sido estruturada para atender diferentes perfis e níveis de complexidade. Ela destaca que há maior incidência de ansiedade e depressão entre adolescentes e casos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias entre adultos, o que orientou a criação de serviços e unidades específicas para esse público. ‘Cada Caps é pensado para atender uma faixa de 200 mil pessoas. Com essas ampliações, estamos prevendo um aumento de capacidade para um milhão de atendimentos’, observa.

O atendimento é organizado de forma integrada: casos leves e moderados são acompanhados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), enquanto situações mais graves são direcionadas aos Caps, que contam com equipes multiprofissionais e atuação conjunta com serviços de urgência e emergência. Outro destaque é a implantação dos serviços residenciais terapêuticos, que oferecem moradia e acompanhamento a pessoas que viveram por anos em hospitais psiquiátricos e perderam vínculos familiares.

A política de saúde mental também envolve ações articuladas com outras áreas institucionais, como assistência social, educação, trabalho, cultura e esporte. Programas de qualificação profissional, acesso a benefícios sociais, atividades culturais e esportivas e políticas de proteção social são considerados fatores importantes na promoção da saúde mental e na prevenção de adoecimentos.

Os Caps oferecem atividades manuais que auxiliam no cuidado com a saúde mental e na reconstrução de histórias de vida. Um exemplo é o grupo de crochê na unidade do Itapoã, denominado Linhaterapia, que funciona uma vez por semana das 14h às 16h e foca na reabilitação social dos pacientes por meio da confecção de itens como bolsas, tapetes, mandalas e cachecóis, além de proporcionar uma fonte de renda.

A coordenadora do grupo, Eleni Alves Sardinha, explica que a atividade trabalha concentração, criatividade e produção de dopamina, ajudando na ansiedade, depressão e até em estudos relacionados ao Alzheimer. Participantes como a costureira Lidiana Vieira da Cunha, de 37 anos, encontraram na iniciativa uma forma de lidar com o luto e a depressão após perder a filha. Já a dona de casa Maria Francisca da Silva, de 49 anos, usa o crochê para enfrentar a dependência química e controlar a ansiedade. O auxiliar de contabilidade Reginaldo Ferreira Lima, 39 anos, relata que a atividade ajuda a manter o foco no tratamento e reduzir pensamentos negativos.

A unidade Caps AD atende pessoas acima dos 16 anos com necessidades moderadas a graves, com o grupo atingindo até 15 participantes. Esporadicamente, são realizados passeios para lugares de lazer na cidade, como Jardim Botânico e Zoológico, com transporte gratuito disponibilizado pelo GDF.

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