Com a chegada dos meses mais frios, pessoas com doenças crônicas podem sentir piora de sintomas como rigidez muscular, desconforto nas articulações e aumento da percepção da dor. A orientação médica é manter-se ativo, hidratado e protegido do frio para reduzir os efeitos do inverno no organismo.
Paciente do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) há oito anos, Cláudia Cordeiro da Silva, de 60 anos, convive com fibromialgia e artrose nas mãos e relata que já adapta a rotina nesta época do ano. “Quando chega esta época, eu já me escondo dentro de casa. Fico encolhida, deitada, porque tudo dói”, disse.
Segundo a reumatologista do HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Rafaela Cruz, a piora nem sempre está relacionada ao agravamento da doença. Na maioria das vezes, ela está associada às respostas naturais do organismo diante das temperaturas mais baixas. “A musculatura fica mais rígida e menos elástica, o que pode gerar desconforto durante os movimentos e os alongamentos”, explicou.
A médica acrescenta que, para preservar o calor corporal, o organismo reduz a circulação sanguínea em regiões mais periféricas, como mãos e pés. Essa adaptação pode aumentar a sensibilidade e intensificar a percepção da dor em algumas pessoas. Para Rafaela, o impacto do frio varia de indivíduo para indivíduo. “O frio e a dor são experiências muito subjetivas. Algumas pessoas sentem um impacto maior das baixas temperaturas, enquanto outras praticamente não percebem diferença”, afirmou.
No inverno, também é comum que muitas pessoas reduzam a prática de atividades físicas, passem mais tempo sentadas e evitem sair de casa. No entanto, a diminuição dos movimentos pode favorecer a perda de mobilidade e intensificar desconfortos já existentes. “Quando nos movimentamos, melhoramos a circulação sanguínea e favorecemos a chegada de oxigênio aos tecidos, inclusive nas extremidades do corpo. Por isso, permanecer ativo e aquecido ajuda a reduzir a rigidez muscular e a sensação de dor”, orienta a médica.
Mesmo sem praticar exercícios regularmente, Cláudia busca manter uma rotina ativa. Quando possível, faz seus deslocamentos a pé e adota cuidados simples para enfrentar os dias mais frios. “Eu procuro caminhar quando preciso resolver alguma coisa e nunca saio sem me agasalhar bem. Percebo que, quando me mantenho aquecida e me movimento um pouco mais, as dores ficam mais suportáveis”, contou.
Outro ponto considerado importante pela especialista é a hidratação. Embora a sensação de sede diminua durante o inverno, o consumo adequado de água continua sendo fundamental para o funcionamento do organismo e para a saúde muscular e articular. “Com medidas simples, como permanecer ativo, hidratado e protegido do frio, é possível minimizar os efeitos das baixas temperaturas e atravessar o inverno com mais conforto e qualidade de vida”, concluiu.
Pessoas com dores persistentes nas articulações, músculos ou coluna devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação inicial. Após consulta e exames, caso haja necessidade, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento especializado em reumatologia ou outras especialidades da rede pública de saúde.
Com informações da Agência Brasília