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Saúde

Fiocruz lança estudo inédito para prevenção de HIV em jovens

O projeto COmPrEP testará a PrEP em adolescentes de 15 a 24 anos nas periferias de Salvador e São Paulo, focando populações vulneráveis com educadores pares.

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 15h07

Foto: divulgação/ SES-DF

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia lançou, nesta sexta-feira (10), em Salvador, um estudo inédito para ampliar a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (HIV) entre adolescentes e jovens na periferia. A iniciativa, segundo o pesquisador Laio Magno, da Fiocruz Bahia e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), visa testar a profilaxia pré-exposição (PrEP) em jovens de 15 a 24 anos, especialmente homens gays, travestis e mulheres trans.

A PrEP é um método preventivo que utiliza medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao vírus, preparando o organismo para bloquear a infecção pelo HIV. O estudo, denominado PrEP na Comunidade (COmPrEP), será realizado em Salvador e São Paulo, com a participação de cerca de 1,4 mil jovens. Em Salvador, a coordenação cabe aos professores Laio Magno e Inês Dourado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em São Paulo, os responsáveis são Alexandre Granjeiro e Márcia Couto, da Faculdade de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto tem financiamento do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade do Alabama, o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais, e organizações da sociedade civil. Ele surgiu da experiência dos pesquisadores na oferta de PrEP a adolescentes no país, visando superar barreiras de acesso aos serviços de saúde.

Jovens de 15 a 24 anos apresentam maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV devido a dificuldades de acesso aos serviços, estigma e discriminação, especialmente em populações da diversidade sexual e de gênero. Dados do Ministério da Saúde indicam que apenas 0,2% dos usuários de PrEP no país têm entre 15 e 19 anos, apesar de essa faixa etária registrar a maior taxa de incidência de infecção entre homens que fazem sexo com outros homens.

Para enfrentar esses desafios, o estudo testará a oferta de pré-teste na comunidade por educadores pares, que são jovens da própria comunidade treinados e supervisionados por profissionais de saúde. Os participantes serão divididos em dois grupos: um com cuidado tradicional em unidades de saúde e outro com modelo comunitário mediado por educadores pares.

O acompanhamento durará até 12 meses, avaliando indicadores como início, adesão e permanência no uso da PrEP. O piloto deve ficar pronto em junho, com recrutamento iniciando entre setembro e outubro, em espaços de sociabilidade mapeados nas cidades. Os jovens selecionados serão sorteados para um dos braços do estudo, com resultados finais esperados para 2028.

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