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Saúde

Exames para câncer de intestino no SUS triplicam em uma década com campanha Março Azul

A iniciativa de conscientização impulsionou o aumento de testes de rastreamento no Sistema Único de Saúde, com São Paulo liderando o volume de exames em 2025.

Redação Jornal de Brasília

23/03/2026 10h39

O mutirão vem aí com cara de capítulo especial, mas a fila segue longa e eu já estou emocionalmente envolvida com esse drama nacional. (Foto: Divulgação)

O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou na última década, impulsionado pela campanha Março Azul. De acordo com um levantamento da campanha, a pesquisa de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 procedimentos em 2016 para 3.336.561 em 2025, um crescimento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias aumentaram de 261.214 para 639.924 no mesmo período, representando um avanço de cerca de 145%.

Em 2025, São Paulo registrou o maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes, com 1.174.403 exames, seguido por Minas Gerais (693.289) e Santa Catarina (310.391). Os menores números ocorreram no Amapá (1.356), Acre (1.558) e Roraima (2.984).

O presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, atribui o cenário ao avanço de estratégias de conscientização e à mobilização de entidades médicas. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”, afirmou. Ele destacou que ações de autoridades municipais, estaduais e federais, como a iluminação de prédios, mutirões e divulgação em ruas, escolas e unidades de saúde, contribuíram para o aumento nos exames, especialmente em março.

Casos de personalidades públicas também influenciaram a conscientização. A trajetória da cantora Preta Gil, que divulgou seu diagnóstico em 2023 e faleceu em 2025, coincidiu com um crescimento de 18% nas pesquisas de sangue oculto nas fezes e 23% nas colonoscopias no SUS. Hourneaux mencionou que depoimentos de figuras como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite ajudaram a alertar sobre sintomas e a importância da investigação precoce, aumentando as chances de cura.

Promovida desde 2021 pela Sobed, Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha conta este ano com apoio da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM).

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que as mortes prematuras por câncer de intestino antes dos 70 anos aumentarão até 2030, tanto entre homens quanto mulheres, devido ao envelhecimento populacional, maior incidência entre jovens, diagnósticos tardios e baixa cobertura de exames de rastreamento.

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