Menu
Saúde

Estudo revela baixo acesso a diagnóstico e terapias para autistas no Brasil

Pesquisa nacional do Instituto Autismos mostra que apenas 20,4% confirmam diagnóstico pelo SUS e 15,5% realizam terapias na rede pública.

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 14h30

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O estudo Mapa Autismo Brasil, primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre pessoas autistas, foi divulgado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Autismos. A pesquisa revela limitações no acesso a diagnóstico e terapias no Sistema Único de Saúde (SUS), apesar de cerca de 2,4 milhões de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil, conforme o Censo 2022 do IBGE.

Realizada entre 29 de março e 20 de julho de 2025, a pesquisa coletou 23.632 entrevistas online, incluindo respostas de 16.807 responsáveis por pessoas autistas, 4.604 adultos autistas e 2.221 participantes que se identificam como ambos. O levantamento abrangeu todos os estados brasileiros, com o objetivo de mapear o perfil sociodemográfico e o acesso a serviços.

O perfil traçado indica que 60,8% das pessoas autistas são brancas, 32% pardas, 5,2% pretas, 1,1% amarelas e 0,25% indígenas. Quanto ao gênero, 65,3% são homens e 34,2% mulheres. A maioria, 72,1%, tem até 17 anos, enquanto 27,9% estão na faixa de 18 a 76 anos. Em termos de renda familiar, 28,6% têm até R$ 2.862 mensais, 37,9% entre R$ 2.862 e R$ 9.540, e 20,33% acima de R$ 9.540.

No nível de suporte, 53,7% requerem nível 1 (o mais baixo), 33,7% nível 2 e 12,6% nível 3 (maior auxílio). Comorbidades comuns incluem 51,5% com TDAH, 41,1% com transtorno de ansiedade, 27,9% com transtornos do sono e 23,2% com distúrbios gastrointestinais. Em comunicação, 55,5% falam frases completas e longas, enquanto 29,5% usam ecolalias e 7,65% não falam nem usam comunicação aumentativa e alternativa (CAA).

Entre os responsáveis, 96% são pais, sendo 92,4% mães, e 55,2% têm ensino superior completo ou pós-graduação. Cerca de 30,47% dos cuidadores estão sem renda ou desempregados, o que sugere impacto das demandas de cuidado na trajetória profissional. Além disso, 76,6% utilizam algum benefício, como cartão de identificação (36,7%), atendimento preferencial (30%) e vaga de estacionamento para PCD (20,7%), mas apenas 16,6% acessam o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Quanto ao diagnóstico, 51,7% ocorrem até 4 anos de idade, mas a média é de 11 anos, indicando atrasos em alguns casos. Os primeiros sinais são percebidos principalmente por familiares (55,9%) ou pela própria pessoa (11,4%). Neurologistas ou neuropediatras realizaram 67% dos diagnósticos, seguidos por psiquiatras (22,9%). No entanto, apenas 20,4% foram confirmados pelo SUS, contra 55,2% na rede particular e 23% por planos de saúde, com maior dependência do SUS no Norte e Nordeste.

Em terapias, as mais comuns são psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%) e fonoaudiologia (38,9%). Apenas 15,5% usam o SUS para isso, enquanto 35,3% recorrem a planos de saúde e 28,5% à rede particular. Usuários do SUS têm menor acesso a serviços como terapia ocupacional (33,8%) comparado a planos de saúde (64,5%). A carga horária semanal é baixa: 56,5% fazem até duas horas, destoando das recomendações internacionais de terapias multidisciplinares intensivas.

Investimentos mensais em terapias variam, com 24,8% gastando de R$ 501 a R$ 1 mil, e 22,2% de R$ 1.001 a R$ 3 mil. Cerca de 16,4% não realizam terapias. No SUS, o acesso é limitado em comparação à rede privada.

Na educação, 83,7% frequentam instituições de ensino, sendo 52,26% em escolas públicas e 31% em particulares. Porém, 39,9% não recebem apoios de inclusão, como monitor ou tutor (23,8%) ou adaptações pedagógicas (18,8%).

Para adultos autistas (18 a 76 anos), 29,9% estão desempregados ou sem renda, destacando desafios de inclusão no mercado de trabalho. Entre os empregados, 21,1% são servidores públicos e 20% têm carteira assinada.

O Instituto Autismos enfatiza que o estudo aponta gargalos no acesso a serviços e a necessidade de melhorias em políticas públicas para atender às demandas socioeconômicas e de inclusão de pessoas autistas e seus cuidadores.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado