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Saúde

Estudo mapeia perfil das hepatites virais no Brasil

Levantamento do Einstein analisou 200 estudos e apontou diferenças de prevalência e transmissão entre os tipos A, B, C, D e E no país.

Redação Jornal de Brasília

03/08/2026 16h42

hepatite tania rego

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita analisaram 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais no Brasil. O estudo foi publicado na revista científica internacional PLOS ONE e integra o projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

A pesquisa reuniu informações sobre as hepatites A, B, C, D e E com o objetivo de gerar conhecimento para fortalecer estratégias de prevenção e cuidado que contribuam para a meta de eliminar essas doenças até 2030. Segundo o coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, médico do Departamento de Patologia Clínica do Einstein, a ideia é apoiar gestores, profissionais de saúde e pesquisadores no planejamento de iniciativas alinhadas aos esforços nacionais.

No caso da hepatite A, o levantamento aponta que a doença, embora evitável por vacinação, voltou a ganhar espaço no país, principalmente associada ao comportamento sexual entre homens, com transmissão por contato oral/anal. O pesquisador destacou que a forma mais comum de contágio continua sendo por água ou alimentos contaminados, e afirmou que a infecção ainda é frequente nas regiões Norte e Nordeste, além da Amazônia. Entre homens com mais de 18 anos, foram observados muitos casos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em um contexto de menor vacinação.

Já as hepatites B e C têm como principais formas de transmissão o contato sexual e o contato com sangue ou produtos sanguíneos, incluindo o uso de drogas endovenosas. Outra via importante é a transmissão de mãe para filho durante a gestação e o parto, embora o especialista tenha dito que esse tipo de contágio é atualmente muito raro no Brasil. A hepatite B conta com vacina e tratamentos eficazes, enquanto a hepatite C não tem vacina, mas dispõe de terapias capazes de curar mais de 95% dos pacientes. Ambas podem evoluir para cirrose e câncer de fígado.

A hepatite D, ou Delta, foi descrita como uma doença negligenciada por atingir, em geral, populações de menor nível socioeconômico e de difícil acesso aos serviços de saúde. No Brasil, ela aparece com mais frequência na região amazônica, especialmente entre populações ribeirinhas. O estudo lembra que a hepatite D só ocorre em pessoas que já têm o vírus da hepatite B, e que a infecção simultânea ou sucessiva pode tornar o quadro mais grave, com risco de hepatite fulminante, cirrose e câncer de fígado.

Quanto à hepatite E, o levantamento indica que se trata de uma zoonose, transmitida a partir de animais, especialmente porcos. O texto informa que já existem estudos mostrando porcos infectados com hepatite E no Brasil e que o Sul do país pode concentrar mais casos por causa da maior criação de suínos. Segundo o coordenador da pesquisa, essa é uma hepatite aguda que muitas vezes passa despercebida e ainda precisa ser melhor estudada no país.

Nos 200 estudos incluídos, a hepatite B foi a mais investigada, seguida da hepatite C. A soroprevalência da hepatite A na população geral variou entre 33,3% e 67,8%. Em populações vulneráveis, os maiores índices foram observados entre pessoas encarceradas (88,1%), imigrantes (87,4%) e indivíduos transgêneros (75,6%). A hepatite B apresentou prevalência entre 0% e 7,5% na população geral, com maiores taxas em uma região endêmica amazônica. A hepatite C variou de 0,04% a 2,2% na população geral, com taxas mais altas entre pessoas que usam drogas (36,9%). A hepatite D foi predominantemente relatada na Amazônia, com prevalência entre 0% e 23,9%, e a hepatite E variou de 0,9% a 59,4%, com o maior valor na Região Sul.

De acordo com os pesquisadores, o material pode orientar ações de prevenção, diagnóstico e tratamento, especialmente em regiões e grupos mais vulneráveis, enquanto o país tenta avançar para eliminar as hepatites virais até 2030.

Com informações da Agência Brasil

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