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Saúde

Estudo estima 43% das mortes por câncer no Brasil como evitáveis

Pesquisa da The Lancet indica que prevenção e diagnóstico precoce poderiam evitar 109 mil óbitos em 2022.

Redação Jornal de Brasília

19/02/2026 18h03

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Um estudo internacional publicado na revista The Lancet estima que 43,2% das mortes por câncer no Brasil em 2022 poderiam ser evitadas por meio de medidas de prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento. De acordo com a pesquisa, cerca de 253,2 mil casos diagnosticados no país resultariam em óbitos até cinco anos após a detecção, sendo 109,4 mil deles preveníveis.

O trabalho, assinado por pesquisadores vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), analisa 35 tipos de câncer em 185 países. Globalmente, 47,6% das 9,4 milhões de mortes por câncer em 2022 eram evitáveis, totalizando quase 4,5 milhões de óbitos que poderiam ser prevenidos.

No Brasil, as mortes evitáveis dividem-se em 65,2 mil preveníveis, ou seja, que poderiam não ocorrer com prevenção primária, e 44,2 mil dependentes de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Os principais fatores de risco incluem tabaco, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções como HPV, hepatite e Helicobacter pylori.

A pesquisa destaca disparidades regionais e por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Países de baixo IDH, como os da África Oriental e Ocidental, apresentam até 62% de mortes evitáveis, enquanto nações de IDH muito alto, como na Europa do Norte, ficam em torno de 30%. O Brasil, classificado como IDH alto, alinha-se à média sul-americana de 43,8%. No grupo de baixo IDH, o câncer de colo de útero lidera as mortes evitáveis, contrastando com países de IDH alto, onde a taxa de mortalidade por esse tipo é bem inferior.

Entre os tipos de câncer, 59,1% das mortes evitáveis relacionam-se a pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo de útero. O câncer de pulmão responde por 34,6% das mortes preveníveis globalmente, com 1,1 milhão de óbitos. Já o câncer de mama é o principal em casos tratáveis, com 200 mil mortes que poderiam ser evitadas com diagnóstico oportuno, representando 14,8% do total.

Os autores recomendam campanhas para reduzir tabagismo e alcoolismo, incluindo aumentos de preços, regulação de publicidade e impostos sobre alimentos não saudáveis para combater o excesso de peso. Enfatizam também a vacinação contra HPV e o alcance de metas da OMS, como diagnosticar 60% dos cânceres de mama nos estágios iniciais e tratar 80% dos pacientes em até 60 dias.

No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) promovem campanhas regulares de prevenção e diagnóstico precoce para combater a doença.

Com informações da Agência Brasil

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