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Saúde

Estudo em Taguatinga testa ferramenta para detectar neuropatia diabética precoce

Pesquisa internacional avalia o instrumento ACT para rastreio rápido da complicação em pacientes com diabetes, visando prevenir úlceras e amputações.

Redação Jornal de Brasília

06/03/2026 10h25

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Estudo inclui testes clínicos aplicados após o paciente responder a um questionário que apura a existência de sintomas neuropáticos | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF

A Unidade de Endocrinologia do Hospital Regional de Taguatinga (Uendo/HRT) participa de um estudo internacional iniciado no fim de janeiro deste ano, focado na detecção precoce da neuropatia periférica diabética (NPD). A pesquisa, coordenada pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Universidade de Cornell de Doha, no Catar, busca validar a ferramenta A New Simple sCreening Tool (ACT) para incorporá-la à saúde pública, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS).

O objetivo é facilitar o rastreamento rápido da NPD, uma complicação que pode evoluir silenciosamente, causando dor neuropática, úlceras e amputações nos pés e pernas. “Com a utilização da ACT, equipes da APS poderão verificar, de forma simples e rápida, pessoas que convivem com diabetes e, se for o caso, encaminhá-las a uma avaliação com especialistas na Uendo/HRT”, explica a endocrinologista Hermelinda Cordeiro Pedrosa, vice-presidente da IDF, coordenadora do Polo de Pesquisa do HRT e investigadora principal do estudo.

A ferramenta ACT é aplicada em duas etapas: um questionário com cinco perguntas sobre sintomas como formigamento, queimação e dormência, seguido de testes clínicos simples realizados por médicos ou profissionais de enfermagem. A participação requer uma única visita presencial, com auxílio financeiro para transporte.

O estudo ocorre também no Catar, na Tailândia e na Índia, com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes Regional (SBD-DF) no Brasil. Ele compara a ACT com métodos consolidados, como o Rastreamento de Michigan nos Estados Unidos e o DN4 na França. A meta brasileira é incluir 300 participantes, entre 18 e 70 anos, com diabetes tipo 1 ou 2, excluindo aqueles com condições como hipotireoidismo descompensado, deficiência de vitamina B12, hanseníase ou hemoglobina glicada acima de 11%.

“Na prática, muitas pessoas com diabetes já apresentam NPD e desconhecem a sua presença. O rastreamento possibilita o diagnóstico precoce e, em alguns casos, pode reverter o quadro ou retardar a progressão da complicação”, destaca a endocrinologista Flaviene Romani, integrante da equipe responsável pela pesquisa na Uendo/HRT.

A NPD afeta os nervos periféricos, iniciando nas pernas e dedos dos pés, podendo levar à perda de sensibilidade e úlceras. O tratamento de complicações como úlceras gera custos para o SUS e impacta a qualidade de vida do paciente e de sua família.

Participante do estudo, Wendel Araújo, de 48 anos, considera a pesquisa essencial: “Diabetes é uma condição complexa, e qualquer progresso que melhore a qualidade de vida é bem-vindo”.

Usuários do SUS interessados em participar, desde que atendam aos critérios, podem contatar a Uendo/HRT pelo e-mail endocrinologia.hrt@gmail.com.

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