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Saúde

Estudo alerta para políticas públicas contra impactos da menopausa em mulheres negras

Pesquisa do Instituto Esfera destaca vulnerabilidades biológicas e sociais no período, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 8h47

fogachos sao um dos sintomas mais conhecidos da menopausa 1

Foto: Frame TV Brasil

Um estudo divulgado nessa terça-feira (3) pelo Instituto Esfera, em Brasília, alerta para a necessidade de políticas públicas específicas para reduzir os impactos da menopausa em mulheres, com ênfase nas negras e em situação de vulnerabilidade.

De acordo com a pesquisadora Clarita Costa Maia, responsável pelo estudo em conjunto com a médica Fabiane Berta de Sousa, o período afeta mais intensamente essas mulheres tanto biologicamente quanto socialmente. “A menopausa tem um componente biológico que atinge mais as mulheres negras e há o cruzamento de vulnerabilidades”, explicou ela em entrevista à Agência Brasil.

A pesquisadora destacou que essas mulheres, frequentemente arrimo de família, enfrentam fragilidade no mercado de trabalho devido aos sintomas físicos e psicológicos não tratados, o que compromete a relação profissional e impacta o núcleo familiar. Sintomas ignorados podem levar a graves consequências de saúde mental, como aumento das chances de Alzheimer e depressão.

O estudo também aponta para um fenômeno de menopausa precoce, influenciado pelo modo de vida atual, e enfatiza a importância de maior atenção das redes públicas com o envelhecimento populacional. O afastamento do trabalho gera maior pressão previdenciária e problemas sociais, em vez de manter trabalhadoras em sua melhor fase intelectual.

Para enfrentar o problema, o documento recomenda um mapeamento nacional sobre a menopausa, visando compreender a realidade brasileira. “A ausência de política pública nacional estruturada para a menopausa não é neutra. Produz efeitos concretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres”, afirma o texto.

Dados internacionais citados indicam custos mensuráveis, como US$ 26,6 bilhões anuais nos Estados Unidos e US$ 150 bilhões globalmente, além de queda de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam nessa fase, com 87,9% apresentando sintomas, mas apenas 22,4% buscando tratamento.

“A magnitude do problema é proporcional à sua invisibilidade. Tratar a menopausa como política pública não significa patologizar o envelhecimento feminino, mas reconhecê-lo como etapa legítima do ciclo de vida que demanda cuidado, informação e proteção institucional”, conclui o documento.

Durante o evento de lançamento do estudo e premiação de “mulheres exponenciais”, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, mencionou maior atenção à prevenção da saúde da mulher no envelhecimento populacional. Ela destacou a atividade de um grupo representando mulheres na menopausa em um recente fórum criado pelo Ministério.

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