Estudantes de mestrado e doutorado em Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, realizaram uma visita técnica a unidades de saúde no Distrito Federal nesta terça-feira (6). A iniciativa integrou o Curso Colaborativo de Campo em Saúde Pública, uma parceria entre a universidade norte-americana e o Ministério da Saúde.
Ao todo, 15 alunos de Harvard e 15 estudantes brasileiros de diversas regiões do país participaram do tour pela Região de Saúde Norte. Divididos em três grupos, eles observaram o modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) em ação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) 2 da Fercal, 8 de Planaltina (no Vale do Amanhecer) e 5 de Planaltina (em Arapoanga).
Guiados por representantes da Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde Norte (Diraps) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), os visitantes conheceram serviços como acolhimento de demanda espontânea, dispensação de medicamentos, atividades comunitárias e consultas médicas e de enfermagem para todas as fases da vida.
A professora Márcia Castro, que leciona na Harvard há 18 anos, destacou a singularidade do Sistema Único de Saúde (SUS). “O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a ter um sistema único de saúde sem custos para a população”, afirmou. Ela defendeu o SUS como um modelo internacional, enfatizando que a qualificação visa mostrar seu funcionamento e auxiliar na solução de desafios locais.
Alcir Galdino, à frente da Diraps Norte, reforçou a importância da APS como estratégia central para a saúde pública. “Os municípios brasileiros que investem mais em atenção primária têm melhores indicadores sociais. Além disso, um planejamento governamental de saúde que coloque a APS como o centro do modelo garante maior economicidade do sistema e melhor qualidade no gasto público”, avaliou.
Outro participante, Srinivasan, comparou os serviços brasileiros com os dos Estados Unidos. “O SUS é um exemplo para o mundo. Um país rico não é, necessariamente, um país saudável. Os EUA são ricos, mas não sabem como usar seus recursos para fortalecer a saúde pública”, exemplificou.