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Saúde

Estigma ainda afasta pacientes com HIV de diagnóstico e cuidado

Levantamento citado na matéria mostra que mais da metade das pessoas vivendo com HIV no Brasil já enfrentou discriminação. O preconceito ainda interfere na testagem, na busca por atendimento e na adesão ao tratamento.

Redação Jornal de Brasília

03/07/2026 10h50

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Diagnóstico precoce é crucial para evitar que a pessoa adoeça e transmita o vírus | Fotos: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde

Mais da metade das pessoas que vivem com HIV no Brasil já enfrentou algum tipo de discriminação ao longo da vida, segundo estudo citado na reportagem. O estigma, ainda presente em ambientes familiares, sociais e até nos serviços de saúde, pode atrasar o diagnóstico e dificultar o cuidado contínuo.

Entre os 1.275 entrevistados para compor a segunda edição do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV de 2025, 22,8% disseram ter evitado realizar o teste por medo da reação de outras pessoas. Outros 8,5% relataram ter deixado de procurar serviços de saúde após vivenciarem situações de discriminação.

A assistente social da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) Fabiana Borges afirma que o preconceito é uma barreira para a adesão ao tratamento antirretroviral e para o acompanhamento no serviço de saúde. Segundo ela, a discriminação pode romper laços familiares e afetivos, fragilizar a rede de apoio e prejudicar o acesso ao trabalho e ao emprego.

Os dados mais recentes do Boletim Epidemiológico da SES-DF apontam que foram registrados mais de 3,8 mil casos de HIV entre 2020 e 2024 no Distrito Federal. No período, a maior concentração ocorreu entre pessoas de 20 a 29 anos, faixa etária que respondeu por 42,6% das notificações.

A reportagem também destaca que HIV e Aids não são a mesma coisa. O HIV é o vírus que ataca as células de defesa, enquanto a Aids é um estágio associado à queda importante da imunidade e ao surgimento de sintomas ou enfermidades. Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a pessoa vivendo com HIV não necessariamente desenvolverá Aids e pode manter boa qualidade de vida.

Apesar dos avanços no tratamento, ainda persistem mitos e informações equivocadas sobre a infecção. A SES-DF informa que essa desinformação alimenta a discriminação e reforça a ideia incorreta de que o vírus atinge apenas determinados grupos, quando pode infectar qualquer pessoa, a depender da situação de risco.

A matéria lembra ainda que estão disponíveis a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de exposição ao vírus, e a profilaxia pós-exposição (PEP), usada em situações de possível contato com o HIV, como violência sexual ou acidentes ocupacionais. A orientação é que qualquer pessoa sexualmente ativa faça testagens periódicas, para permitir diagnóstico precoce e início rápido do tratamento.

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