O Ministério da Saúde atualizou as orientações para a vigilância e notificação da esporotricose humana em todo o território nacional. A partir de agora, a doença integra a Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, tornando obrigatória a notificação semanal de casos confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), via plataforma e-SUS Sinan, tanto na rede pública quanto na privada.
A esporotricose é uma micose causada pela inoculação do fungo Sporothrix por trauma na pele, geralmente associada ao contato com solo, plantas e matéria orgânica. Nos últimos anos, observa-se um aumento expressivo de casos relacionados à transmissão zoonótica, especialmente de gatos, o que reforça a necessidade de integração entre vigilância em saúde, atenção primária e serviços veterinários.
Casos suspeitos incluem indivíduos com lesões cutâneas ou mucosas, que podem evoluir para formas nodulares e ulceradas, com ou sem secreção, além de manifestações subagudas ou crônicas que não respondem a antibióticos. A confirmação pode ser feita por critérios clínicos-epidemiológicos, como histórico de contato com gatos ou trauma com material orgânico, ou por exames laboratoriais, como cultura ou teste molecular.
Fernanda Dockhorn, coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde, enfatiza que a notificação compulsória permite construir um panorama epidemiológico mais consistente, fortalecendo a tomada de decisões e o planejamento de ações de vigilância, prevenção e assistência.
Para prevenção, recomenda-se guarda responsável de animais, com restrição de circulação de gatos em áreas externas, atendimento veterinário imediato em casos suspeitos e cuidados no manejo de animais doentes. Em ambientes ocupacionais, como jardinagem, agricultura e construção civil, priorizam-se medidas coletivas e o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e calçados adequados.
A abordagem adotada segue o conceito de Uma Só Saúde, articulando ações entre saúde humana, animal e ambiental. O documento foi elaborado em conjunto pelas coordenações de vigilância de tuberculose e micoses, informações epidemiológicas, zoonoses e saúde do trabalhador, com discussão no Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A nota técnica destaca ainda a importância de educação em saúde na atenção primária para qualificar as equipes na identificação e notificação de casos.
Com informações do Governo Federal