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Saúde

Especialistas pressionam por urgência no acesso a medicamento para neuroblastoma no SUS

Oncologistas pedem agilidade na implementação do betadinutuximabe pelo SUS, incorporado em fevereiro de 2025, mas ainda sem protocolo clínico que permita sua aquisição.

Redação Jornal de Brasília

26/03/2026 13h57

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Foto: Divulgação/IgesDF

Especialistas em oncologia pediátrica cobraram, nesta quinta-feira (26), rapidez na disponibilização do medicamento betadinutuximabe (Qarziba) para o tratamento de neuroblastoma pelo Sistema Único de Saúde (SUS), durante audiência pública no Senado. O neuroblastoma, um dos cânceres pediátricos mais agressivos, afeta principalmente crianças pequenas e se desenvolve a partir de células do sistema nervoso em formação.

A senadora Dra. Eudócia (PL-AL), presidente da Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, requereu a audiência e destacou que o medicamento, reconhecido pelo Ministério da Saúde por aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes, foi incorporado ao SUS por portaria em fevereiro de 2025, com prazo de até 180 dias para implementação. No entanto, a ausência do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para neuroblastoma impede a aquisição e o acesso das crianças ao tratamento.

“A doença oncológica, o câncer, ele é tempo-dependente. Um dia para um paciente oncológico é um ano”, declarou a senadora, anunciando que apresentará projeto de lei para instituir um protocolo nacional de neuroblastoma.

Representantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), como a médica Patricia Shimoda Ikeuti, enfatizaram a necessidade de publicar o PCDT para uniformizar o cuidado, desde o diagnóstico até o tratamento, incluindo a imunoterapia. Ikeuti apontou dificuldades no diagnóstico devido à desigualdade no acesso a exames especializados, como de imagem, medicina nuclear e biologia molecular, e à falta de centros capacitados em todo o país.

Nathalia da Silva Halley Neves, coordenadora do Grupo Brasileiro de Tratamento para Neuroblastoma da Sobope, alertou que o diagnóstico tardio compromete a estratificação de risco e pode levar a terapias inadequadas, reduzindo as chances de sobrevida em casos de alto risco. “A gente precisa garantir não só o início do tratamento, mas a integralidade. Todo o cuidado, a chance de cura do doente, não pode depender de onde ele nasce ou é tratado. Tem que ser uma equidade em todo o país”, defendeu.

Laira dos Santos Inácio, presidente do Instituto Anaju e mãe de uma criança com neuroblastoma, criticou a demora no diagnóstico e tratamento, agravada pela dependência de judicialização para obter medicamentos. Ela relatou que processos demorados não acompanham a evolução da doença, resultando em avanços do câncer e perdas irreparáveis. “Enquanto o processo administrativo acontece, a doença não espera. Enquanto documentos tramitam, o câncer avança. Enquanto o sistema demora, crianças morrem”, afirmou.

Teresa Cristina Cardoso Fonseca, presidente da Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança com Câncer (Coniacc), defendeu que o debate sobre o betadinutuximabe deve considerar não só o custo financeiro, mas os impactos sociais e humanos da falta de acesso. Embora de alto custo, o número reduzido de casos limita o impacto orçamentário. “A gente não está falando só do custo, nós estamos falando de um investimento para a nação brasileira, o investimento na saúde dessa família e de uma criança que teve sua trajetória interrompida”, disse.

Iriana Custódia Koch, vice-diretora da associação AMUCC, reforçou que o câncer afeta toda a família e a sociedade, exigindo equidade no tratamento de crianças.

Pela coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, o neuroblastoma foi priorizado como a primeira doença a inaugurar a agenda de PCDTs para câncer infantojuvenil. O documento está em desenvolvimento, com etapas formais previstas para começar em abril, visando organizar a linha de cuidado e viabilizar o acesso a tecnologias pelo SUS.

A Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer, vinculada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), conta com cinco senadores titulares e igual número de suplentes, tendo como vice-presidente o senador Dr. Hiran (PP-RR).

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