Com a proximidade do Carnaval 2026, especialistas em nutrição, gastroenterologia e cardiologia alertam foliões sobre cuidados essenciais para manter a saúde em dia durante os dias de festa. A ênfase principal recai sobre a hidratação e a alimentação adequada, especialmente em meio ao calor intenso e à exposição prolongada nas ruas.
A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Estácio, recomenda a ingestão mínima de dois litros de água por dia, além de água de coco e bebidas isotônicas, para combater a desidratação. “O foco é aumentar a ingestão de água para reduzir a perda de líquidos”, afirma ela. Mecenas também aconselha não pular refeições, optando por opções leves e regulares como iogurtes, frutas, sanduíches naturais e castanhas, a fim de evitar tonturas e hipoglicemia.
Ela alerta para os riscos de alimentos de procedência duvidosa, como sanduíches mal conservados ou churrasquinhos de rua, que podem causar infecções intestinais. Alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, sódio e açúcar, devem ser evitados, pois agravam a digestão lenta e provocam distúrbios gastrointestinais. Em vez disso, prefira itens minimamente processados, como frutas, verduras e legumes, ou refeições completas em restaurantes próximos.
Quanto ao consumo de álcool, a nutricionista sugere intercalá-lo com água e evitar beber em jejum para prevenir desconfortos. No período pós-folia, recomenda-se uma dieta rica em proteínas (frango, peixe), verduras, legumes e frutas para auxiliar na recuperação do organismo.
O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa, do Hospital Sírio Libanês, reforça a hidratação como medida de “controle de danos”, considerando fatores como privação de sono, calor, álcool e alimentação irregular. Ele indica pelo menos 35 ml de água por quilo de peso corporal diariamente e alerta para os perigos do álcool, que irrita a mucosa gástrica e aumenta riscos de gastrite e refluxo. Barbosa também menciona a importância de verificar a procedência das bebidas nos blocos para evitar intoxicações graves, como por metanol, e recomenda dormir bem para não comprometer a imunidade intestinal.
Além disso, o médico adverte contra o uso excessivo de anti-inflamatórios e antiácidos, que podem agravar úlceras ou mascarar sintomas. Em caso de diarreia persistente por mais de 48 horas, vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal intensa, é essencial procurar um pronto-socorro imediatamente para hidratação intravenosa ou antibióticos.
O cardiologista Leandro da Silva Elias, emergencista e professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), destaca os riscos cardiovasculares associados ao calor excessivo, que sobrecarrega o coração e o sistema circulatório. Isso pode levar a aumento da frequência cardíaca, queda de pressão, desidratação, desequilíbrios eletrolíticos e maior risco de coágulos ou AVC. Grupos vulneráveis, como crianças, idosos, obesos, diabéticos e cardiopatas, demandam cuidados redobrados.
Elias reforça que a desidratação, agravada pelo álcool, pode causar arritmias, desmaios e tonturas. Sinais de alerta incluem suor excessivo, falta de ar e cansaço incomum. Ele alerta para a insolação, ou golpe de calor, que eleva a temperatura corporal acima de 40°C e pode resultar em danos cerebrais ou falência de órgãos se não tratada. Por fim, o médico adverte sobre o uso de drogas durante o carnaval, que afetam o coração e aumentam palpitações, especialmente combinadas à falta de hidratação.