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Saúde

Especialistas alertam para danos graves de álcool e drogas ao cérebro e saúde

Médicos do IgesDF destacam riscos de dependência, doenças irreversíveis e comportamentos perigosos associados ao consumo de substâncias tóxicas.

Redação Jornal de Brasília

20/02/2026 8h24

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No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado nesta sexta-feira (20), médicos do IgesDF chamam a atenção para um problema silencioso que compromete o corpo, a mente e as relações sociais | Foto: Bruno Henrique/IgesDF

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado nesta sexta-feira (20), especialistas do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) alertam para os efeitos tóxicos do álcool e outras drogas no cérebro e no organismo. Apesar de socialmente aceito, o álcool é uma substância capaz de provocar dependência, danos cerebrais, doenças graves e até a morte, comprometendo o corpo, a mente e as relações sociais.

Sérgio Cabral Filho, chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Base do Distrito Federal, explica que o álcool causa danos significativos ao cérebro e aos neurônios. A síndrome de abstinência alcoólica é uma das mais graves, com alta taxa de mortalidade. Além disso, o consumo aumenta o risco de comportamentos perigosos, como agressividade, brigas, direção alcoolizada ou intoxicação grave que pode levar ao coma.

O álcool, drogas ilícitas e certos medicamentos atuam no sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e reforçando o uso. Substâncias como heroína e crack têm alto potencial de vício, e algumas pessoas apresentam maior predisposição devido a características neurológicas.

A dependência química é uma doença que se manifesta por prejuízos progressivos na vida pessoal, profissional e social, com sinais como perda de interesse em atividades prazerosas, isolamento, queda no desempenho e foco excessivo no consumo. O apoio familiar é essencial, e o estigma dificulta a busca por tratamento. Cabral enfatiza que, uma vez instalada, a dependência remove a liberdade de escolha, mas o tratamento pode recuperar a autonomia.

Há uma forte relação entre dependência e saúde mental. Embora algumas pessoas usem substâncias para aliviar ansiedade ou depressão, a dependência geralmente surge pelo efeito direto no cérebro e pode agravar transtornos como depressão, ansiedade, pânico e psicose. Pessoas com predisposição genética, como histórico familiar de esquizofrenia, correm maior risco, especialmente se o uso começar cedo. No tratamento, a dependência deve ser priorizada sobre outros transtornos mentais.

A prevenção é crucial entre adolescentes e jovens, cujo cérebro ainda se desenvolve e é mais suscetível a danos irreversíveis. O diálogo em casa e nas escolas é fundamental para evitar o consumo precoce.

Liliana Mendes, supervisora da Residência Médica em Hepatologia do Hospital de Base, aponta que o álcool afeta praticamente todos os órgãos, com complicações como doenças cardiovasculares, pancreatite, lesões gastrointestinais e problemas hepáticos graves, incluindo hepatite alcoólica, esteatose, cirrose, hemorragia digestiva, acúmulo de líquido no abdômen e câncer de fígado. Mulheres são mais vulneráveis devido à menor capacidade de metabolizar o álcool. Não existe quantidade segura de consumo, e mesmo doses pequenas podem causar inflamação hepática e agravar condições como diabetes e hipertensão.

Associações entre transtornos psiquiátricos, compulsão alimentar e álcool são comuns, especialmente após cirurgias bariátricas, exigindo acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Campanhas de conscientização devem ampliar o debate sobre esses impactos, além dos riscos no trânsito.

O tratamento da dependência envolve desintoxicação, acompanhamento médico, suporte psicológico e medicamentos, quando necessário. A rede pública oferece atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), com equipes multiprofissionais. A motivação é essencial, e recaídas não devem desanimar; o importante é retomar o plano terapêutico.

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