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Saúde

Doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil

Estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia aponta aumento expressivo entre 2012 e 2025 e projeta avanço contínuo até 2035.

Redação Jornal de Brasília

25/09/2026 10h54

câncer de intestino

Foto: Reprodução

O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) cresceu cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025. A incidência dessas enfermidades, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período.

O dado faz parte de um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú (SC), que ocorre até este sábado (26). A pesquisa foi conduzida por Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ambos membros da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), em parceria com pesquisadores de instituições como a Universidade de Calgary, a USP e a Unicamp.

Com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores também identificaram aumento no número de novos casos diagnosticados por ano, que passou de 9,35 para 12,34 no mesmo intervalo. A expectativa da equipe é de que esse indicador chegue a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035.

Segundo Abel Quaresma, as doenças inflamatórias intestinais são autoimunes e multifatoriais, com influência de fatores genéticos e ambientais. Ele afirmou que a alimentação e a presença de ultraprocessados podem ter relação com o avanço desses quadros, embora a causa exata ainda não seja conhecida.

Os pesquisadores projetam ainda que, em 2035, a quantidade de pessoas com essas doenças possa chegar a 264 por 100 mil habitantes, o que representaria 67% a mais do que o observado em 2025. Quaresma avalia que, apesar de até cerca de 2015 serem consideradas doenças raras, as DII vivem um aumento em todo o mundo e podem se tornar um problema de saúde pública a partir de 2040, como hipertensão e diabetes.

O especialista também destacou que não há cura para essas enfermidades e que o tratamento busca controlar a inflamação e os sintomas. Segundo ele, o custo dos medicamentos pode chegar a R$ 500 mil por ano, por paciente, e muitos diagnosticados ainda jovens precisarão de acompanhamento por décadas.

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