Depois de dias de calor acima dos 30 graus, Brasília registrou chuvas, e esse período traz alívio ao calor, mas pode vir acompanhado de espirros, nariz entupido, tosse e aquela sensação incômoda de secreção presa na garganta. As variações de temperatura e umidade podem desencadear ou intensificar sintomas respiratórios, especialmente em pessoas com rinite e asma. Nesse período, até um recurso usado para aliviar o desconforto, o umidificador, exige cuidado para não piorar a qualidade do ar dentro de casa.
O otorrinolaringologista José Stênio, do grupo OtorrinoDF, explica que as variações de temperatura e umidade afetam as vias aéreas. “O ar seco pode ressecar a mucosa nasal e prejudicar seus mecanismos de proteção. Já a umidade excessiva em ambientes internos favorece a presença de mofo, que pode desencadear sintomas alérgicos”, alerta.
A permanência em locais fechados e pouco ventilados também facilita a transmissão de vírus respiratórios. Por isso, é importante diferenciar os quadros: gripes e resfriados são causados por vírus, enquanto rinite e asma podem ter seus sintomas agravados por fatores ambientais.
Pigarro: quando o incômodo na garganta merece atenção
A necessidade frequente de limpar a garganta pode estar relacionada ao gotejamento pós-nasal: a secreção do nariz escorre pela parte de trás da garganta, provocando sensação de muco acumulado, irritação e tosse. Esse desconforto pode acompanhar quadros de rinite, rinossinusite e resfriados.
O pigarro, porém, não tem uma única causa e também pode estar associado a refluxo e outros fatores. Quando persiste, precisa ser investigado para identificar e tratar sua origem. Mais do que tentar eliminar a secreção repetidamente, é importante cuidar do problema que mantém o incômodo.
Três condições que merecem atenção

Rinite alérgica
É uma inflamação da mucosa do nariz associada à exposição a alérgenos, como ácaros e mofo. Espirros repetidos, coceira, coriza e entupimento nasal estão entre os principais sintomas. As variações do tempo podem intensificar o desconforto em pessoas mais sensíveis.
Sinusite ou rinossinusite
É a inflamação da mucosa do nariz e dos seios da face. Pode provocar obstrução nasal, secreção, redução do olfato e dor ou pressão no rosto. Nem toda sinusite é bacteriana: muitos episódios estão associados a infecções virais, como os resfriados.
Asma
É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que pode apresentar crises desencadeadas por mudanças de temperatura, alérgenos e infecções respiratórias. Os sintomas incluem tosse, chiado no peito, falta de ar e sensação de aperto no peito. Quem já tem diagnóstico deve manter o tratamento e seguir as orientações do médico.
Umidificador: o excesso pode piorar o problema
Comum nos meses de seca, o umidificador não deve permanecer ligado por hábito quando a umidade aumenta. O uso precisa considerar as condições do ambiente: umidade em excesso favorece a proliferação de mofo e ácaros, enquanto aparelhos mal higienizados podem dispersar microrganismos no ar.
Na escolha do equipamento, vale observar a facilidade de limpeza, a capacidade adequada ao tamanho do cômodo e a possibilidade de controlar a umidificação. Um medidor de umidade, chamado higrômetro, ajuda a avaliar a necessidade de uso. A recomendação é evitar que a umidade relativa dentro de casa ultrapasse 50%.
Também é necessário renovar a água diariamente, higienizar o reservatório conforme as instruções do fabricante e evitar que a névoa umedeça paredes, cortinas e roupas de cama. Condensação nas janelas ou superfícies úmidas indicam que é preciso reduzir ou interromper o uso.
Cuidados para atravessar esse período
Manter os ambientes ventilados, evitar o acúmulo de poeira, identificar e corrigir focos de mofo e realizar a higiene nasal com soro fisiológico pronto para uso, conforme orientação profissional, são medidas que podem ajudar.
“Também é importante manter a vacinação atualizada e evitar a automedicação. Sintomas persistentes ou que pioram precisam de avaliação médica. Em caso de dificuldade para respirar, é necessário buscar atendimento imediato”, reforça o médico.
O alívio trazido pela chuva deve vir acompanhado de atenção ao ambiente e aos sinais do corpo. Se o pigarro, a tosse ou a obstrução nasal passam a fazer parte da rotina, investigar a causa é o caminho para controlar os sintomas e recuperar o bem-estar.