O número de adultos brasileiros com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população. No mesmo período, a hipertensão cresceu 31%, a obesidade 118% e o excesso de peso 47%. Esses dados fazem parte do Vigitel 2025, pesquisa que monitora fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como hábitos alimentares e prática de atividades físicas.
Em resposta a esse aumento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro, a estratégia Viva Mais Brasil. A iniciativa mobiliza o país para a promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida, com investimento de R$ 340 milhões em políticas de atividade física. Destaque vai para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões em 2026, conforme portaria assinada no evento.
Padilha destacou que a implantação de espaços com equipamentos e profissionais nas academias, vinculados às unidades básicas de saúde, contribui para a redução do uso de medicamentos, incluindo ansiolíticos e antidepressivos. O convívio social aliado à atividade física promove saúde integral. O custeio dos serviços do programa pode chegar a R$ 10 mil, dependendo da modalidade, e o Brasil conta atualmente com 1.775 Academias da Saúde, com expectativa de credenciar mais 300 até o final do ano.
A estratégia articula políticas existentes do SUS, com ações em alimentação saudável, prática de atividade física, cuidado integral e acesso à informação. Ela incentiva modos de vida saudáveis nas unidades do SUS e no setor privado. O Viva Mais Brasil define 10 compromissos: mais movimento e vida ativa; mais alimentação saudável; menos tabaco e álcool; mais saúde nas escolas; menos doenças crônicas; mais vacinação em todo o Brasil; mais protagonismo e autonomia; mais saúde digital; mais cultura da paz e menos violências; e mais práticas integrativas e complementares.
O ministro enfatizou que a ação transforma o Ministério da Saúde em promotor da saúde, não apenas da doença, reforçando a prevenção com as mais de 100 mil equipes da atenção primária e outras áreas do governo.
Os dados do Vigitel também mostram queda na prática de atividade física no deslocamento, de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, e aumento na atividade moderada no tempo livre, para 42,3%. O consumo regular de frutas e hortaliças se mantém em 31%. Pela primeira vez, a pesquisa inclui dados sobre sono: 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres.
Para fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS), o Ministério estabeleceu 15 indicadores de qualidade em 2025, focados em crianças, gestantes, idosos e doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Municípios poderão aumentar em até 30% os repasses do Ministério, e o investimento contra hipertensão e diabetes deve alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026. A iniciativa induz boas práticas e melhora o atendimento na ponta.
A APS é reforçada pelo Novo PAC Saúde, com construção de 2,6 mil novas UBS, entrega de 800 Unidades Odontológicas Móveis, 10 mil combos de equipamentos para UBS e 7 mil kits de telessaúde.
No Rio de Janeiro, Padilha assinou a Ordem de Serviço para a nova maternidade de porte 1 em Japeri, parte do programa Agora Tem Especialistas. Com R$ 103 milhões, a unidade funcionará 24 horas, beneficiando mães, puérperas e crianças da região.