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Saúde

Dia Nacional reforça cuidados com traqueostomia em crianças

Comemoração em 18 de fevereiro destaca o procedimento vital e o suporte multidisciplinar para famílias.

Redação Jornal de Brasília

18/02/2026 7h51

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O cuidado com o paciente traqueostomizado exige um atendimento multidisciplinar | Foto: Maria Clara Oliveira/HCB

O Dia Nacional da Criança Traqueostomizada, celebrado em 18 de fevereiro, busca conscientizar sobre a importância da traqueostomia, um método terapêutico que cria um orifício na traqueia para facilitar a respiração em crianças com dificuldades respiratórias.

O procedimento é necessário em casos de malformações congênitas, como laringomalácia e estenose da laringe ou traqueia, além de complicações de infecções virais, como bronquiolite e bronquite. Segundo a cirurgiã torácica do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), Maria Alice Cardozo, intubações prolongadas, inclusive em bebês prematuros, podem lesionar as vias aéreas, tornando a traqueostomia essencial para a segurança respiratória.

Uma das principais preocupações das famílias é a obstrução da cânula traqueal. Por isso, pais e responsáveis recebem treinamento no HCB para realizar aspirações, nebulizações e intervenções em emergências, como decanulação acidental. ‘Às vezes, o Samu não chega a tempo. Por isso, a família tem que ser orientada para retirar a cânula, posicionar, passar novamente e fixar a cânula na urgência’, explica Cardozo.

Ao discutir o procedimento, a médica enfatiza a necessidade de não apresentá-lo como definitivo para evitar assustar as famílias. ‘A traqueostomia não tem que ser vista como um problema, tem que ser vista como uma solução, uma ponte’, afirma.

O atendimento a pacientes traqueostomizados requer uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais de enfermagem, fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia. A fonoaudiologia é crucial para reabilitar a fala e a deglutição, enquanto o apoio psicológico auxilia mães que frequentemente dedicam-se integralmente ao cuidado dos filhos.

Apesar dos cuidados, crianças traqueostomizadas sem comprometimentos neurológicos ou limitações motoras podem levar uma vida ativa, similar à de outras crianças, exceto pela proibição de atividades como natação em piscina.

O objetivo final é a decanulação, processo de retirada definitiva da cânula, precedido por avaliações como broncoscopia e testes de tolerância com cânula ocluída. O fechamento do orifício ocorre naturalmente pelo organismo, sem necessidade de pontos, em um processo de segunda intenção. Após a remoção, a criança permanece em observação por 24 a 48 horas.

O Dia Nacional promove a troca de experiências entre famílias e a conscientização sobre os direitos e benefícios sociais, visando melhorar a qualidade de vida dessas crianças. ‘Esse dia serve tanto para troca entre as famílias, para elas entenderem que aquele processo pode ser adaptado, quanto para a gente conseguir melhorar a qualidade de vida dessas crianças’, conclui Cardozo.

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