Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade precisam comparecer a uma das mais de cem salas de vacinação onde estão disponíveis imunizantes contra a dengue. Conforme dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, 41,9% das crianças de dez anos de idade tomaram a primeira dose e apenas 16% completaram o esquema vacinal de duas doses. Na realidade, em nenhuma dessas idades foi atingida a meta de 90%, sequer para a primeira dose.
A diretora de vigilância epidemiológica da SES-DF, Juliane Malta, ressalta que, apesar da queda de 95% no número de casos entre 2024 e 2025, a vacinação é fortemente recomendada. “Mesmo com a redução expressiva dos casos de dengue, o risco de novas epidemias não pode ser descartado. A vacina oferece proteção não apenas no curto prazo, mas também por muitos anos após a imunização, sendo uma estratégia eficaz e segura”, afirma.
Juliane Malta destaca que a vacinação é importante, inclusive, para quem já teve a doença. “Quem já foi infectado apresenta maior risco de desenvolver formas graves em uma nova infecção, em razão de um fenômeno imunológico característico da dengue, conhecido como exacerbação da doença mediada por anticorpos”, explica.
Vacinação em atraso

A gerente da Rede de Frio Central da SES-DF, Tereza Luiza Pereira, contabiliza 24.178 doses da vacina contra a dengue no depósito. Outras seis mil estão distribuídas para as redes de frio regionais e nos estoques das próprias Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O público atual, de dez a 14 anos de idade, é indicado pelo Ministério da Saúde e, por enquanto, não há indicação de ser ampliada. A data de validade das vacinas é de julho de 2027.
Tereza Luiza Pereira ressalta que quem tomou a primeira dose e não voltou após os 90 dias, conforme recomendado, pode voltar para completar o esquema vacinal mesmo em atraso. “Não é necessário reiniciar o esquema vacinal em caso de atraso. A conduta indicada é apenas completar o esquema, respeitando as orientações técnicas vigentes”, esclarece. Também é possível aproveitar a ida à sala de vacina para tomar outros imunizantes, como o da HPV, por exemplo.
A SES-DF orienta comparecer a uma das salas de vacina com documento de identificação e a caderneta de vacinação. Caso esse documento tenha sido perdido, isso não impede o atendimento. “Nesses casos, a equipe deve buscar os registros nos sistemas de informação disponíveis. Assim, de acordo com as informações disponíveis no sistema ou prestadas pelo usuário, é feita uma avaliação mais precisa, garantindo segurança e efetividade”, acrescenta a médica da Coordenação de Atenção Primária à Saúde da SES-DF, Gabriela Villar.
Ação contra a dengue

De fevereiro de 2024 a janeiro de 2026, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal aplicou 183,4 mil doses de vacinas contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme indicado pelo Ministério da Saúde. A meta é chegar a 90% dessa população com as duas doses aplicadas.
Esta, porém, não é a única estratégia para combate à doença. Ao longo de 2025, 362 servidores da SES-DF realizaram mais de 1,8 milhão de visitas domiciliares, tanto para levar informação quanto para combater focos do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.
Além disso, agentes de vigilância ambiental instalaram mais de 3,8 mil armadilhas para mosquitos (ovitrampas) e 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas. Outra estratégia é a disseminação de mosquitos inoculados com a bactéria Wolbachia, com menor capacidade de transmitir doenças e com potencial para substituir as populações dos mosquitos da população inicial.
Os resultados são acompanhados pelos boletins epidemiológicos. Em 2025, o Distrito Federal fechou o ano com uma queda de 96% nos casos prováveis de dengue.
Vacinação de profissionais de saúde
Os servidores que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) vão começar a receber, nesta semana, a vacina contra a dengue. A imunização vai contemplar, primeiramente, os trabalhadores com maior exposição no território, como Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Agentes de Vigilância Ambiental (AVAs), equipes de consultório na rua (eCR) e equipes de saúde da família (eSF).