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Saúde

Crochê como terapia inovadora nos Caps AD do DF contra dependência química

Oficinas da atividade manual promovem coordenação motora, persistência e meditação para pacientes em tratamento.

Redação Jornal de Brasília

18/02/2026 18h35

Foto: Yuri Freitas/Agência Saúde DF

Foto: Yuri Freitas/Agência Saúde DF

A dependência química, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença, é combatida no Distrito Federal por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde (SES-DF). Entre os recursos disponíveis, destacam-se as oficinas de crochê nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps AD), que funcionam como ferramenta terapêutica.

No Caps AD II de Santa Maria, conhecido como Caps Flor de Lótus, a enfermeira Angelita Bandeira coordena a oficina. Ela explica que a atividade vai além da técnica, trabalhando a coordenação motora, o cérebro e novas conexões neurais. Os participantes desenvolvem habilidades como lidar com frustrações e persistência, já que erros no crochê exigem desmanchar e recomeçar o trabalho.

Para Bandeira, o crochê atua como meditação, serenando o ânimo de pacientes e servidores. “O crochê é igual à nossa vida: se você começar errado, lá na frente vai dar problema. Então, é melhor parar, respirar, desmanchar, recomeçar”, afirma. A linha se torna uma metáfora para o agir: tensão aperta o ponto, tranquilidade o relaxa.

A Raps oferece serviços desde a atenção básica nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), porta de entrada para quadros leves, até os 18 Caps para sofrimentos mentais graves, incluindo dependência química. Esses centros operam em regime de porta aberta, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento, articulando-se com atenção primária, hospitais, assistência social e outras políticas públicas.

A gerente do Caps AD II, Adriana Câmara, enfatiza que o tratamento vai além da clínica: fortalece a autonomia, reconstrói vínculos familiares e comunitários, promove reinserção social e reduz estigmas. Além do crochê, a unidade oferece oficinas de pintura, manutenção de horta e grupos de terapia coletiva.

No local, cerca de 90% dos usuários atendidos manifestam abuso de álcool, substância lícita e culturalmente aceita, o que dificulta o reconhecimento de uso problemático e adesão ao tratamento. Câmara destaca impactos como perda de vínculos, sofrimento familiar, violência e sobrecarga de serviços públicos. A interrupção do uso pode gerar sintomas intensos de abstinência, exigindo acompanhamento qualificado.

Embora crônica, a dependência busca controle, não cura. Alexandre Frazão, em tratamento há 16 anos contra o alcoolismo, relata que o crochê ajuda na concentração e o faz esquecer o problema temporariamente, enfatizando a necessidade de constância. Terezinha de Jesus, há 20 anos em luta contra a dependência de álcool, diz que a terapia reduziu seu consumo e o acolhimento no centro fortalece os usuários mutuamente. “Todo dia é uma batalha”, aconselha, incentivando a busca por ajuda.

Com informações da SES-DF

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