
Durante muitos anos o papel da mulher na sociedade foi de coadjuvante, tendo como função apenas a tarefa de ser boa esposa, mãe dedicada e excelente dona de casa. Porém, a partir do século XX, quando a luta pelos direitos delas se torna uma bandeira para classe, a mulher assume o protagonismo da própria vida e dá início a uma nova e instigante geração, tornando impossível pensar a sociedade moderna sem a contribuição, trabalho e força delas.
Na atualidade, é preciso que elas assumam o posto de “supermulheres”, já que agora além da casa e da família, precisam cuidar da carreira profissional, dos estudos e também das suas realizações pessoais. A agenda lotada e a obrigação em cumprir uma jornada dupla ou até tripla de trabalho coloca a saúde da mulher moderna em risco, resultando tanto em doenças físicas quanto mentais. Segundo a psicóloga Lia Clerot, o grande mal da vida contemporânea é a falta de equilíbrio e a autocobrança. “A busca pela perfeição em tudo acaba gerando em nós um sentimento muito grande de frustração. A mulher moderna precisa se conscientizar que não dá para ter excelência em tudo, elas tem que aprender a dividir as responsabilidades para conseguirem conciliar melhor o seu tempo e assim viverem menos angustiadas e mais equilibradas”, diz a especialista.
Outro ponto destacado pela psicóloga é o constante descontentamento com a própria realidade. “O hábito de olhar a vida do outro como modelo não é saudável. É normal se comparar a outra mulher, se inspirar e admirar, mas é muito perigoso tomar a realidade de outra pessoa para si. Cada ser é único e tem suas próprias limitações, não podemos viver o tempo todo querendo ser ou ter o que o outro tem, além disso, é muito mais saudável você ser grato pelo que tem do que passar a vida inteira reclamando do que não tem”, ressalta Lia.
Ainda segundo a profissional, outra questão fundamental é livrar-se do sentimento de culpa. “Por não conseguir cumprir suas atividades como queriam muitas mulheres desencadeiam uma culpabilidade excessiva, e isso acaba prejudicando sua vida em todos os aspectos. O ideal é saber priorizar as atividades do cotidiano para se livrar dessa sensação de falha”, alerta a psicóloga.