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Saúde

Caso de sarampo em bebê de São Paulo alerta para vacinação urgente

Infecção importada da Bolívia em criança de 6 meses reforça a importância de altas coberturas vacinais para proteger os não imunizáveis.

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 8h37

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses em São Paulo, na semana passada, reacende o alerta sobre a necessidade de manter altas coberturas vacinais para proteger quem ainda não pode ser imunizado. A criança contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto desde o ano passado.

A bebê ainda não havia atingido a idade para receber a vacina, prevista no calendário do Sistema Único de Saúde para a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Aos 15 meses, aplica-se a tetra viral, que reforça a imunidade contra essas doenças e inclui a catapora.

De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), altas coberturas vacinais criam uma barreira coletiva que protege os bebês mais novos. “A vacina do sarampo impede a infecção e a transmissão com alta efetividade, evitando que a pessoa se torne um portador e transmissor do vírus”, explica Kfouri.

No Brasil, o ano passado registrou 92,5% de cobertura para a primeira dose, mas apenas 77,9% das crianças completaram o esquema na idade correta. Este caso é o primeiro de sarampo no país em 2024, após 38 infecções em 2023, a maioria importada. Apesar disso, o Brasil mantém o status de área livre da doença, certificado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2024, sem transmissão sustentada no território.

No entanto, o país perdeu esse certificado em 2019 após surtos iniciados por casos importados. Kfouri alerta que o sarampo tem altíssima transmissibilidade, especialmente entre não vacinados, e que a imunização em altas taxas é essencial para impedir surtos locais, mesmo com viagens internacionais.

Nas Américas, a situação é preocupante: 14.891 casos foram registrados em 14 países em 2023, com 29 mortes. Até 5 de março de 2024, já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior, com maior incidência no México, Estados Unidos e Guatemala. A maioria dos casos ocorre em não vacinados, principalmente crianças menores de 1 ano.

O sarampo não é uma doença inofensiva: para cada mil casos, há cerca de um óbito, mas surtos recentes mostram proporções maiores, com complicações como pneumonia e encefalite. Sintomas incluem manchas vermelhas, febre alta, tosse, coriza e irritação nos olhos. Além disso, a infecção suprime o sistema imunológico por três a seis meses, aumentando o risco de outras doenças.

A proteção vacinal é vitalícia para quem recebe as doses no tempo certo. Crianças e adultos sem comprovante devem se vacinar: duas doses com intervalo de um mês para quem tem de 5 a 29 anos, e uma dose para os de 30 a 59 anos. A vacina é contraindicada para gestantes e imunocomprometidos.

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