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Saúde

Carnaval com saúde: profissionais do HUB dão dicas para aproveitar a folia em segurança

Cuidados dermatológicos, nutricionais e pediátricos, além de orientações para a prevenção de ISTs, fazem parte das recomendações

Redação Jornal de Brasília

10/02/2026 10h46

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Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

O pré-Carnaval é, para muita gente, o início de uma maratona: blocos, ensaios, caminhadas longas ao ar livre e horas em pé. Para ajudar a população a aproveitar as comemorações sem deixar a saúde de lado, especialistas do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), reuniram diferentes recomendações de cuidados dermatológicos, nutricionais e pediátricos, além de orientações para a prevenção de ISTs.

Evite queimaduras, assaduras e irritações

A frequente exposição ao sol forte e ao suor excessivo, além do uso de produtos químicos como maquiagens, tinturas, glitter e fixadores, fazem dos dias de Carnaval uma maratona de agressão à pele e aos cabelos. “Para se proteger, é importante adotar cuidados já nos dias anteriores às festividades, fazendo hidratação constante, topicamente, com loções e cremes, ou com máscaras, sem esquecer de manter uma hidratação oral regular”, aponta a dermatologista Jorgeth Motta.

Durante os dias de comemoração, é essencial usar protetor solar para prevenir queimaduras e manchas. Além disso, vestir roupas leves e confortáveis pode evitar assaduras em regiões como coxas, axilas e virilha. “É melhor dar preferência para tecidos que permitam a melhor absorção do suor, como tecidos de algodão. Também se pode aplicar pomada ou talco líquido na região, que vai prevenir o atrito e a irritação”, assinala a médica.

Orientações nutricionais

Para a nutricionista Gleyce Bezerra, que integra a equipe multiprofissional do HUB-UnB, não há regra para definir quais alimentos devem ou não ser ingeridos durante o período de festas, contudo, é importante que a pessoa tente manter os mesmos hábitos alimentares que já leva no dia a dia. “Experimentar alimentos novos, sobretudo aqueles preparados em contextos higiênicos e sanitários inadequados, pode trazer riscos”, alerta.

A especialista também aconselha manter a alimentação colorida e variada, incluindo mais elementos in natura e minimamente processados. Também é importante consumir alimentos que ofereçam energia para o corpo, como mandioca, banana da terra, milho, cuscuz, batata e tapioca; fontes de proteína de boa qualidade; e frutas e verduras, garantido vitaminas e minerais.

Durante a folia, quadros de desidratação podem ser comuns. Logo, é importante estar atento aos sinais que o corpo mostre, como dor de cabeça, suor excessivo, prisão de ventre, tontura e ressecamento dos lábios. “Ingerir dois litros de água por dia é a recomendação mínima para a população em geral, mas, sempre que possível, é indicado beber além disso, principalmente se for ingerir bebida alcoólica, uma vez que o álcool colabora para a desidratação”, observa Gleyce.

Além da água, a nutricionista sugere água de coco, sucos de fruta, caldos e frutas com alto teor de água, como abacaxi, melancia e laranja, que são indicados para repor nutrientes e manter o corpo hidratado. “Garantir uma boa hidratação também melhora os sintomas da ressaca com mais rapidez”, completa.

Outra recomendação importante é não pular refeições. “Isso lhe deixará com menos energia e mais suscetível a, na hora da fome, procurar alimentos na rua, que podem ter procedência duvidosa e gerar riscos de infecções alimentares. O ideal é levar seus próprios petiscos, dando preferência a snacks de fruta, barrinhas de cereal sem açúcar ou de proteína, castanhas e amendoim”, orienta a profissional.

Cuidados com o público infantil

O Carnaval é um momento de grande alegria, que pode ser aproveitado por todas as idades, mas, de acordo com a pediatra Larissa Matos, para que crianças possam se divertir com segurança, cuidados específicos devem ser observados. “No momento de escolher roupas e fantasias, é melhor evitar tecidos sintéticos grossos, plásticos ou fantasias muito fechadas, dando preferência para materiais que facilitem a transpiração, como é o caso do algodão, e para fantasias simples, confortáveis e seguras, sem peças pequenas, apertadas, muito quentes ou que atrapalhem os movimentos. Uma atenção especial também deve ser dada aos sapatos, que precisam ser confortáveis para que a criança possa correr, brincar e se divertir sem riscos de bolhas ou outras lesões nos pés”, aponta a especialista.

Quando maquiagens, sprays, espumas e tinturas entram em cena, a recomendação de Larissa é utilizar produtos infantis, hipoalergênicos e dermatologicamente testados. “Em caso de dúvida ou suspeita sobre alguma reação, entre em contato com seu pediatra. Testar o produto em uma pequena área da pele pode ser útil, especialmente em crianças de pele mais sensível”, pondera.

Ainda de acordo com a pediatra, os cuidados principais a serem tomados para manter a saúde de crianças durante as festividades são:
• Identificar a criança com pulseira contendo nome e telefone dos responsáveis, além de manter-se atento às proximidades, evitando perdê-la de vista.
• Aplicar filtro solar FPS 30 ou superior e evitar exposição solar direta entre 10h e 16h.
• Distanciar-se de caixas de som e trios elétricos, limitando o tempo de exposição ao barulho constante e preferindo horários mais tranquilos. É sempre importante observar os sinais de desconforto da criança, como choro, irritação e o ato de colocar as mãos nos ouvidos. Em alguns casos, protetores auriculares do tipo concha podem ser úteis, principalmente para crianças menores, pois abafam os sons.
• Proporcionar uma rotina de alimentação saudável e hidratação frequente é outro ponto fundamental, então ofereça água para a criança em diferentes momentos, mesmo que ela não peça.
• Procurar por ambientes mais ventilados e fazer pausas para descanso, atento a sinais de desconforto, fome e cansaço, respeitando os limites da criança.
• Orientar a criança a não aceitar alimentos ou doces de estranhos.
• Não é indicado levar bebês para as comemorações. Aglomerações contam com alta taxa de circulação de vírus, impactando na saúde das crianças pequenas cujos sistemas imunológicos ainda não estão totalmente maduros. O calor e o barulho excessivos também podem ser prejudiciais. Caso, ainda assim, opte por levar um bebê para as festividades, escolha horários mais tranquilos e locais mais ventilados, e distantes de barulhos constantes e de exposição solar direta. Cuide para que seu bebê esteja sempre hidratado e respeite os sinais de cansaço.

Prevenção de ISTs: informação, rotina e prevenção combinada

Segundo o infectologista André Bon, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam um conjunto de patógenos, mais frequentemente virais e bacterianos, que podem ser transmitidos através da relação sexual sem preservativo. “Cabe ressaltar que não se trata apenas da relação sexual com penetração, mas também sexo oral e outras formas de relação sexual. Os patógenos mais conhecidos são o HIV, hepatite A, B e C, sífilis, clamídia, gonorreia, HPV, Herpes simples, dentre outros”, explica.

As ISTs podem se manifestar através de feridas, corrimentos e verrugas anogenitais, além de dor pélvica e ardência ao urinar, entre outros sinais de alerta.

“Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de IST”, aponta André. “Os vírus das hepatites virais irão causar, genericamente, sintomas compatíveis com hepatites agudas, que podem ser autolimitadas nos casos da hepatite A, ou tornarem-se hepatites crônicas como no caso das hepatites B e C. Já a doença aguda pelo HIV costuma se manifestar cerca de três semanas após a infecção com sintomas inespecíficos como febre, aumento de gânglios, dor de garganta. Esses sintomas costumam ser autolimitados, sumindo sozinhos. Após esse período, o vírus não costuma causar mais sintomas até o momento em que o sistema imunológico se encontre acometido de forma avançada, causando a AIDs, o que ocorre de muitos meses a anos após a infecção inicial”, esclarece o infectologista.

A prevenção de ISTs é mais eficaz quando combina estratégias, tais quais: uso de preservativos masculino e feminino e gel lubrificante; imunização contra hepatites A e B e HPV; testagem regular para HIV, hepatites virais, sífilis e outras ISTs; tratamento de todas as pessoas vivendo com HIV como forma de atingir carga viral indetectável e evitar a transmissão do HIV; Profilaxia pré-exposição do HIV (PrEP); Profilaxia pós-exposição para HIV e outras ISTs.

“Todas as pessoas que tiveram exposições sexuais desprotegidas com indivíduos de status sorológico desconhecido precisam buscar atendimento médico para realização de profilaxia pós-exposição até 72h após. Quanto antes a profilaxia for realizada, maior sua efetividade. Importante reforçar que a profilaxia deve ser feita em qualquer pessoa com exposição sexual, independente de se tratar de exposição com consentimento ou sem consentimento”, alerta André.

PrEP no HUB

No HUB, a PrEP é ofertada no Ambulatório de Prevenção-PrEP, que faz parte do Serviço de Infectologia do hospital. O atendimento do Ambulatório ocorre às terças-feiras, das 13h às 18h, e o acesso é por agendamento no Ambulatório de Triagem, que funciona às quartas e quintas de manhã, e nas sextas à tarde. Durante o atendimento do Ambulatório de Prevenção-PrEP, também acontece a distribuição de camisinhas femininas, camisinhas com textura e lubrificantes.

Além de proteger contra o HIV, a PrEP costuma ampliar o vínculo do usuário com o cuidado, com orientação e acompanhamento regular. Não é só tomar o medicamento: a pessoa passa a ser acompanhada e orientada.

No fim, o recado é simples: preparar o corpo, planejar e buscar informação são atitudes que aumentam as chances de uma folia segura — antes, durante e depois do Carnaval.

Rede Ebserh

O HUB-UnB faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde janeiro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

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