No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, comemorado neste sábado (8), o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, reforçou que a prevenção é a melhor forma de evitar complicações cardiovasculares.
Em entrevista à Agência Brasil, o cardiologista destacou que um estudo publicado em setembro de 2025 recomenda que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos de idade. Segundo ele, o exame deve ser feito junto com a avaliação da glicose. Caso sejam identificados níveis altos de colesterol, a orientação é buscar acompanhamento médico e seguir corretamente o tratamento prescrito.
Alves também alertou para os riscos da desinformação sobre estatinas e afirmou que interromper o uso da medicação pode elevar novamente os níveis de colesterol, como acontece com diabetes e hipertensão. Ele disse que há evidências científicas sobre os benefícios desses remédios há mais de três décadas e lamentou a disseminação de informações falsas nas redes sociais.
O cardiologista avaliou ainda que a chamada dieta carnívora não é indicada para reduzir o colesterol. Segundo ele, uma alimentação saudável precisa ser equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em quantidades adequadas. Ele afirmou que dietas baseadas apenas em carne são ricas em gordura saturada, o que eleva o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.
Para reduzir o colesterol, Alves recomendou alimentação saudável e atividade física, com 150 a 300 minutos de exercícios por semana. Ele também citou a importância do sono e do controle do estresse, que podem influenciar o metabolismo e o risco cardiovascular.
O especialista explicou que, em casos de colesterol acima de 300 miligramas por decilitro, há forte indicação de origem genética e pode ser necessário tratamento medicamentoso. Nesses casos, o uso de estatinas é parte do tratamento, e outros remédios podem ser associados conforme o risco cardiovascular de cada paciente.
Alves chamou atenção para a hipercolesterolemia familiar, doença genética que pode provocar níveis extremamente elevados de colesterol ainda na infância. Segundo ele, há casos de crianças que infartam aos 10 anos por causa da doença, e quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de aumentar a sobrevida.
O cardiologista também relacionou colesterol elevado, diabetes, tabagismo, hipertensão e obesidade aos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Com informações da Agência Brasil