VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS
Entre 2021 e 2025, foram registradas 2.949 amputações de pênis e 2.359 óbitos no país em decorrência de câncer de no membro. Os números são de um levantamento da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) com base em dados do Ministério da Saúde.
“Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações evitáveis todos os anos no Brasil, principalmente em decorrência do desconhecimento, do estigma e do diagnóstico tardio”, afirma Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.
Os cinco estados com maior número de amputações no período foram São Paulo (547), Minas Gerais (476), Paraná (207), Rio Grande do Sul (204) e Maranhão (179).
Já os estados com maior número de óbitos relacionados ao câncer de pênis foram São Paulo (399), Bahia 205), Minas Gerais (220), Pernambuco (119) e Pará (128). A alta densidade populacional contribui para um número absoluto maior de casos.
Além disso, a infraestrutura de saúde mais robusta em estados como São Paulo e Minas Gerais facilita a documentação e o acesso a serviços médicos, o que pode explicar a maior notificação de casos nessas regiões.
“A falta de informação faz com que muitos homens só procurem atendimento quando a doença já está em estágio avançado, o que frequentemente exige cirurgias mutiladoras e compromete a qualidade de vida”, diz Fernandes.
O câncer de pênis é mais incidente em homens acima de 50 anos. Os sintomas iniciais incluem ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis, sangramento, secreção com forte odor, espessamento, irregularidade ou alteração na cor na pele da glande e aparecimento de nódulos na região da virilha.
Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento desse tipo de câncer, como higiene íntima inadequada, fimose, infecção pelo vírus HPV (papilovírus humano) e tabagismo.
Quando não é diagnosticado nos estágios iniciais, o câncer de pênis pode exigir a amputação parcial ou total do órgão, dependendo da extensão da lesão. Em estágios avançados, a doença pode migrar para regiões como virilha e abdôme.
“Muitas vezes a limitação de acesso ao sistema de saúde ou a demora para procurar ajuda levam a um diagnóstico tardio, o que pode associar-se à morte pela doença”, afirma o uro-oncologista Fernando Korkes, coordenador da SBU.
Segundo os especialistas, pessoas com baixas condições socioeconômicas são mais vulneráveis a contrair a doença. “É um tumor raro nos países desenvolvidos”, afirma Fernandes.
“As mortes por câncer de pênis ocorrem proporcionalmente mais nas regiões Norte e Nordeste do país”, diz Korkes.
A prevenção inclui higienização diária do pênis com água e sabão puxando o prepúcio para remoção do esmegma secreção esbranquiçada que se acumula sob o prepúcio, inclusive após as relações sexuais, além de cirurgia para correção de fimose (postectomia) e uso de preservativos.
A vacinação contra o HPV também é uma estratégia eficaz de prevenção. A vacinação está disponível gratuitamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos, imunossuprimidos até os 45 anos e para usuários de PrEP entre 15 e 45 anos.
No fim do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da estratégia de resgate vacinal contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada. A iniciativa continua até o primeiro semestre de 2026.
O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.