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Saúde

Brasil chega a 140 casos confirmados de mpox em 2026

Número de infecções cresce nas últimas semanas, com maior concentração em São Paulo; especialistas citam possível impacto do Carnaval

Redação Jornal de Brasília

10/03/2026 14h46

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Foto: Divulgação

O Brasil chegou a 140 casos confirmados de mpox em 2026, segundo dados do painel epidemiológico do Ministério da Saúde atualizados na segunda-feira, 9. Outros 539 casos são classificados como suspeitos e nove constam como prováveis. Nenhum óbito foi registrado até o momento.

A maior concentração de casos constatados está no Estado de São Paulo, com 93 registros. Na sequência vem o Rio de Janeiro, com 18. Também há registros da doença em Minas Gerais (11), Roraima (11), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (3), Santa Catarina (3), Paraná (2), Pará (1), Amapá (1), Ceará (1), Distrito Federal (1) e Sergipe (1).

No fim de fevereiro, 14 dias atrás, o País contabilizava 88 casos confirmados. O aumento representa um salto de 59%. Para efeito de comparação, em todo o ano de 2025, foram contabilizados 1.059 casos confirmados e três óbitos.

Para o infectologista Álvaro Costa, membro do comitê de infecções sexualmente transmissíveis da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e consultor técnico do Ministério da Saúde para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a alta nas últimas semanas pode estar relacionada ao período do carnaval.

Ele avalia que a situação não chega a ser considerada perigosa, mas acende um alerta quanto à necessidade de vacinação contra a doença.

O que é a mpox?

A mpox é uma doença causada pelo vírus MPXV. A transmissão ocorre por contato com pessoas infectadas (por meio de abraços, beijos, relações sexuais ou lesões cutâneas) ou materiais contaminados, como roupas e talheres.

“O mpox tem grande transmissão durante atividades sexuais, já que nesses momentos ocorrem contatos pele a pele mais intensos”, destaca Costa.

Sintomas

O período de incubação do vírus costuma variar de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias, segundo o ministério.

Os principais sinais e sintomas da infecção são erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados, febre, dor no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza. Eles geralmente duram de duas a quatro semanas, e podem ser mais intensos em pessoas imunossuprimidas.

“Na maioria das vezes, as lesões cicatrizam e não evoluem para complicações”, cita o infectologista. Ainda assim, o recomendado é que o indivíduo busque ajuda médica ao apresentar sintomas.

Prevenção

Costa ressalta que a vacinação é a principal forma de prevenção à doença. No Brasil, a imunização contra mpox foi iniciada em 2023, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberar o uso provisório de um imunizante conhecido como Jynneos ou Imvanex, produzido pela farmacêutica Bavarian Nordic.

O acesso à vacina, porém, é limitado. O infectologista cita que apenas a Bavarian produz o imunizante, o que limita a quantidade disponível para os diferentes países e leva à priorização de grupos específicos. No Brasil, podem se vacinar:

– Pessoas entre 18 e 49 anos que vivem com HIV/Aids e profissionais que atuam diretamente em contato com o vírus em laboratórios;

– Pessoas com mais de 18 anos que foram expostas ao vírus mpox por contato direto ou indireto com fluidos e secreções de uma pessoa contaminada;

– Caso haja vacina disponível na rede, a imunização pode ser indicada também para indivíduos em situação de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP).

Além da vacinação, o ministério orienta o uso de luvas e máscaras como medida de prevenção para aqueles em contato com pessoas infectadas.

Ainda são recomendadas ações como a lavagem frequente das mãos com água e sabão, o uso de álcool em gel e a limpeza regular de roupas, lençóis e toalhas. Além disso, é importante higienizar e desinfetar superfícies e garantir o descarte adequado de resíduos contaminados.

Estadão Conteúdo

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