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Saúde

Bancos de dados oficiais falham em registrar dados sobre câncer de pele no Brasil

Pesquisadores da Fundação do Câncer apontam lacunas em informações de raça e escolaridade, impactando prevenção e diagnóstico precoce.

Redação Jornal de Brasília

14/04/2026 11h35

idoso cancer de pele

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Pesquisadores da Fundação do Câncer alertam que os bancos de dados oficiais sobre câncer de pele no Brasil apresentam lacunas significativas, comprometendo o diagnóstico precoce, o tratamento e a formulação de políticas públicas de prevenção. Em 2023, a doença causou 5.588 mortes no país.

Ao analisar dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), epidemiologistas e estatísticos da instituição identificaram ausências em informações relevantes, como raça e cor da pele, em mais de 36% dos casos, e escolaridade, em cerca de 26%.

“As informações são importantes em um país como o nosso, onde a radiação ultravioleta é muito alta ou extremamente alta”, afirma o epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo. Segundo ele, esses dados podem direcionar ações de prevenção e auxiliar na detecção e tratamento precoces, reduzindo o diagnóstico tardio.

A Região Sudeste (ES, MG, RJ e SP) registrou o maior percentual de incompletude em dados sobre raça/cor da pele, com 66,4% para câncer de pele não melanoma e 68,7% para melanoma. Essa lacuna limita análises sobre desigualdades raciais. Já a Região Centro-Oeste (DF, GO, MS e MT) apresentou a maior falta de informações sobre escolaridade, com 74% nos casos de não melanoma e 67% no melanoma.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele é o mais comum no Brasil. Os principais tipos são os carcinomas basocelular e espinocelular, que afetam a camada superficial da pele, e o melanoma, originado nos melanócitos, que é menos frequente, mas mais agressivo e com maior potencial de disseminação.

O Inca estima que, entre 2026 e 2028, sejam registrados anualmente cerca de 263.282 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de melanoma, com a maioria na Região Sul (PR, RS e SC). Em 2024, essa região apresentou as mais elevadas taxas de mortalidade por melanoma, especialmente entre homens.

O estudo da Fundação do Câncer, baseado em dados do Inca, aponta que, entre 2014 e 2023, foram registrados 452.162 casos de câncer de pele no Brasil. A doença é mais comum a partir dos 50 anos, com o não melanoma afetando mais homens e o melanoma incidindo igualmente em homens e mulheres, em todas as regiões.

A exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para todos os tipos, variando conforme a cor da pele – maior em indivíduos de pele clara – e o padrão de exposição. Outros fatores incluem histórico familiar, presença de nevos displásicos, múltiplas pintas, queimaduras solares intensas e riscos ocupacionais ou ambientais, como exposição a certos produtos.

Scaff destaca o risco para trabalhadores ao ar livre, como garis, policiais, operários da construção e agricultura, recomendando além do protetor solar, equipamentos de proteção individual como blusas, chapéus e óculos com filtro UV. Ele alerta também para fontes artificiais, como câmaras de bronzeamento, e para que exposições intensas e intermitentes, especialmente na infância e adolescência, aumentam o risco de melanoma, enquanto a crônica está mais associada ao não melanoma.

O estudo foi divulgado na segunda-feira (14), e a Agência Brasil aguarda manifestação do Ministério da Saúde, que analisa os resultados.

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