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Saúde

Anvisa suspende produtos Ypê contaminados por bactéria Pseudomonas

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, detectada em itens como detergentes e sabões, representa risco grave para pessoas imunocomprometidas

Redação Jornal de Brasília

08/05/2026 17h39

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de diversos produtos da Ypê após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa. A decisão, divulgada na quinta-feira (7), abrange lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetantes com numeração de lote final 1, que devem ser recolhidos e não podem ser utilizados pelos consumidores.

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de vida livre, encontrada naturalmente na água, solo e ambientes úmidos, segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, membro titular da Academia Nacional de Medicina e professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Diferente de bactérias como a Escherichia coli, que vivem no intestino humano, essa bactéria causa infecções principalmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes em tratamento de quimioterapia, com traqueostomia, respiradores ou cateteres venosos.

O médico explica que a bactéria tem resistência natural a antibióticos e pode provocar infecções urinárias, respiratórias em indivíduos com problemas pulmonares crônicos, como enfisema, e complicações em ambientes hospitalares. Ela também pode afetar pessoas saudáveis em casos específicos, como otites em nadadores expostos a águas contaminadas.

A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), reforça que o maior risco ocorre em imunocomprometidos, podendo causar pneumonia em pacientes com fibrose cística, infecções sanguíneas, urinárias e complicações em quem usa sondas ou ventilação mecânica. No ambiente hospitalar, a pressão seletiva de antibióticos agrava a resistência da bactéria, tornando o tratamento mais difícil.

A contaminação provavelmente ocorreu devido a falhas no controle microbiológico durante a produção, como a ausência de monitoramento adequado em etapas com reagentes ou ambientes úmidos, permitindo o crescimento descontrolado da bactéria, segundo Chamon. Embora existam níveis aceitáveis de contaminação microbiana em produtos, a ultrapassagem desses limites representa risco à saúde, especialmente para vulneráveis.

Em comunicado na quinta-feira (7), a Ypê informou que colabora integralmente com a Anvisa, realiza análises técnicas, testes e laudos independentes, e compromete-se a adotar recomendações regulatórias em seu Plano de Ação e Conformidade, desenvolvido em conjunto com a agência desde dezembro de 2025. A empresa não respondeu a contatos da Agência Brasil na sexta-feira (8). As informações foram retiradas da Agência Brasil.

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