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Política & Poder

Zambelli está presa em penitenciária visitada por Papa Francisco em 2018

Ala feminina da Rebibbia, onde está a deputada, já foi palco de celebração de missa com mulheres detentas e mães com filhos pequenos

Redação Jornal de Brasília

31/07/2025 15h13

Foto: Vatican Media/AFP

Foto: Vatican Media/AFP

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), presa pelas autoridades italianas na terça-feira (29), está custodiada na ala feminina da Penitenciária de Rebibbia, em Roma — o maior complexo prisional da Itália e um dos mais conhecidos da Europa. Em 2018, o Papa Francisco esteve neste mesmo local, onde celebrou a tradicional missa de Quinta-Feira Santa ao lado de detentas, algumas delas acompanhadas de seus filhos pequenos. Na ocasião, o pontífice lavou os pés de doze mulheres, em um gesto simbólico de humildade e compaixão. A visita ganhou repercussão internacional e foi marcada por discursos sobre dignidade, perdão e reinserção social.

A presença de Zambelli no mesmo espaço em que o Papa reforçou a necessidade de tratar detentos com humanidade contrasta com o histórico recente da parlamentar. Condenada a dez anos de prisão por envolvimento no financiamento de uma tentativa de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ela deixou o Brasil antes do fim do julgamento de seus recursos, rumo à Itália, país do qual também possui cidadania. A saída foi anunciada por ela mesma no dia 3 de junho. Em seguida, a Justiça brasileira determinou sua prisão e incluiu seu nome na lista da Interpol.

A captura da deputada ocorreu após uma denúncia do deputado italiano Angelo Bonelli, que afirmou ter informado às autoridades o paradeiro de Zambelli. O delegado Andrei Rodrigues, chefe da Polícia Federal brasileira, destacou que a prisão foi resultado da cooperação entre os dois países e confirmou que a parlamentar passará por um processo de extradição. Segundo Rodrigues, Zambelli havia citado, em documentos, temer as condições das prisões brasileiras, alegando que não sobreviveria em um cárcere no Brasil.

O presídio de Rebibbia é conhecido por abrigar tanto homens quanto mulheres, incluindo criminosos de alta periculosidade. A ala feminina, chamada oficialmente de Casa Penitenciária “Germana Stefanini”, tem capacidade para 275 pessoas, mas abriga atualmente 369 mulheres, segundo o Ministério da Justiça da Itália. O local é composto por quatro alas, sendo três destinadas a homens e apenas uma às mulheres.

Entre os nomes famosos que passaram por Rebibbia estão Giovanni Brusca, da máfia Cosa Nostra, responsável pelo assassinato do juiz antimáfia Giovanni Falcone, em 1992. Outro detento conhecido foi Pasquale Scotti, da Nuova Camorra Organizzata, preso no Recife em 2015 e extraditado para a Itália. Ele vivia no Brasil sob o nome falso de Francisco Visconti.

O histórico do presídio e sua relevância política, religiosa e criminal tornam simbólica a prisão da parlamentar brasileira no local. A ala em que ela está detida já foi palco de uma missa celebrada pelo Papa com mulheres em situação de vulnerabilidade.

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