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Política & Poder

Vorcaro enviou R$ 707 milhões a paraíso fiscal enquanto negociava venda para o BRB, aponta Coaf

As transações ocorreram entre 31 de janeiro e 2 de abril de 2025.

Redação Jornal de Brasília

11/03/2026 22h35

daniel vorcaro

Foto: Divulgação/ Banco Master

LUCAS MARCHESINI, CATIA SEABRA E JOÃO GABRIEL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O dono do Master, Daniel Vorcaro, enviou R$ 707 milhões para uma empresa dele nas Ilhas Cayman, a Titan Holding, enquanto negociava a venda de seu banco para o BRB (Banco Regional de Brasília). As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela reportagem.


As transações ocorreram entre 31 de janeiro e 2 de abril de 2025. A venda de 58% das ações do Master para o BRB foi anunciada em 28 de março. As duas partes negociavam em sigilo desde o fim de 2024. A operação acabou vetada pelo BC (Banco Central) em 3 de setembro.


Procurada por email na noite desta quarta-feira (11), a defesa do empresário não respondeu aos questionamentos. Ao Globo disse que não comentará o assunto.


De acordo com o Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a primeira transação foi a venda de cotas do fundo Quíron pela Master Participações para a Titan. O valor foi de R$ 85,2 milhões.


Um mês depois, em 28 de fevereiro, o Banco Master transferiu R$ 66,3 milhões em cotas do fundo Saint Germain para a empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman. O território é conhecido como um paraíso fiscal, onde a tributação é reduzida ou nula.


A maior transação aconteceu em 2 de abril. Nessa data, R$ 555,8 milhões em cotas do fundo GSR foram transferidos para o fundo Krispy, cujo cotista é a Titan.


As transações analisadas vão de janeiro a julho de 2025. O Coaf aponta que os valores investidos pela Titan não condizem com o patrimônio declarado. O órgão afirma que a empresa tem fichas cadastrais com valores conflitantes de patrimônio líquido: R$ 300 milhões em 2 de maio de 2025 e R$ 20 milhões no dia 16 do mesmo mês.


As supostas fraudes do Master investigadas pela PF passam por uma teia de fundos dos quais Quíron e Krispy fazem parte. Ao todo, mais de duzentos fundos costumeiramente faziam operações entre si.


O relatório cita um terceiro fundo que também está na rede, o Tessália. De acordo com o documento, a Titan fez uma aplicação de R$ 314,7 milhões nele em 14 de julho do ano passado.


No último dia 5, o Banco Central, em comunicado às instituições financeiras, decretou a indisponibilidade dos bens da offshore em razão de sua relação com a rede controlada por Vorcaro.


Uma das frentes de investigação da PF são as relações entre o Master e o BRB. A suspeita é de que o dinheiro recebido pelo BRB em duas operações de aumento de capital tenha permitido a expansão da compra de carteiras do Master, que já vinha acontecendo.


Essas operações proporcionaram um aumento de capital de R$ 1 bilhão ao BRB, que turbinou a compra de carteiras do banco de Vorcaro em mais R$ 10 bilhões. Ao todo, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do Master.

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