Francisco Dutra
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O vice-governador do Distrito Federal, Renato Santana, não compareceu ao começo da acareação com a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues. A sessão na CPI da Saúde na Câmara Distrital começou às 10h23. Por outro lado, a sindicalista chegou na Casa com 30 minutos de antecedência.
“Quero anunciar a ausência do vice-governador. Ele me ligou. Eu o alertei que na última oitava dele ficaram alguns pontos a ser esclarecidos. Eu repito: Acho que ele faltou com a verdade”, afirmou o presidente da CPI da Saúde, Wellington Luiz (PMDB).
O deputado Wasny de Roure disse estar perplexo com a ausência do vice-governador. Segundo o parlamentar, a conduta de Santana prejudica os trabalhos de investigação da CPI no caso do escândalo dos grampos.
“Se não quer ser ouvido será ouvido com certeza em outras instâncias de investigação, que estão apurando este caso”, comentou o petista. Ministério Público e Tribunal de Contas estão entre os órgãos de controle que estão trabalhando nesta história.
Antes de qualquer especulação, o deputado Roosevelt Vilela (PSB) fez questão de declarar que o governador Rodrigo Rollemberg não tem envolvimento com a ausência de Santana.
Mesmo com a falta de Santana, a comissão decidiu realizar a sessão somente com a participação de Marli Rodrigues. A sindicalista veio acompanhada de apoiadores.
“Eu não estou aqui para atrapalhar a CPI. Estou aqui para contribuir, disse Marli Rodrigues. A sindicalista destacou que já fez uma denúncia ao Ministério Público. Rodrigues pediu que em situações que possa atrapalhar as investigações em curso no MP pudesse falar em sigilo para os deputados.
As palavras de Marli não foram bem recebidas pelos deputados. Eles destacaram que a CPI não está subordinada ao MP. O presidente da comissão enfatizou que se a sindicalista faltar com o verdade ou se omitir ela poderá ser presa.
“Eu não tenho mais nada em meu poder. Nada. Não tem nenhum áudio em meu poder”, argumentou Marli Rodrigues. A sindicalista reforçou que fez as denúncias ao MP e disse que a investigação em curso na Polícia Civil diz respeito inicialmente a outro caso.
Segundo a sindicalista as conversas com Renato Santana não foram aleatórias. Foram cinco encontros intermediados pelo ex – ouvidor da Vice-Governadoria, Valdeci Marques. “Eu gostaria que o vice-governador estivesse aqui para olhar no olho dele, comentou. A fala de Marli desmente as declarações de Santana na CPI.
Marli admitiu ter conhecimento de supostas irregularidades em determinados contratos. Ela pediu para fazer o detalhamento deles em reservado para os distritais. A comissão aceitou.
Em seguida, a presidente do SindSaúde rebateu as recentes declarações do ex-subsecretario Marcos Júnior, na qual ele negou que tinha desenhado um organograma de corrupção na Secretaria de Saúde. “O esquema existe. É muito pesado. É de arrepiar os cabelos e é muito perigoso”, desabafou Rodrigues. A sindicalista falou que irá interpelar Junior judicialmente sobre o assunto.