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Veja os diálogos que embasaram operação que mira Ciro Nogueira

Mensagens foram mencionadas em relatório da PF que pedia operação contra os acusados; Compliance Zero cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um de prisão, em operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF

Olavo David

07/05/2026 15h05

ex-ministro chefe da casa civil, ciro nogueira,disrcursa durante solenidade de posse no palácio do planalto

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Parte da decisão que permitiu a operação deflagrada nesta quinta (7) se baseou em diálogos interceptados pela Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e seus asseclas. A Compliance Zero, como foi batizada, cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária – este contra o cunhado do ex-banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro, indicado como operador financeiro do que a PF considera uma organização criminosa -, além de mirar o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), e um irmão do parlamentar. 

Nos diálogos, Léo Serrano, apontado como operador de pagamentos, pergunta ao banqueiro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, se deveria continuar arcando com despesas relacionadas a Nogueira.

– Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado? -, questiona. 

Ele é respondido positivamente por Vorcaro, que pede ainda que o cartão seja levado para a ilha caribenha de São Bartolomeu. Em outro diálogo indicado na decisão, Felipe Vorcaro questiona o banqueiro sobre o pagamento “dos 300k [mil reais] para o pessoal que investiu no BRGD [um das empresas apontadas como facilitadoras dos pagamentos ilegais]”. Vorcaro não responde. Na sequência, Felipe insiste:

– Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? -, questiona, mencionando a CNLF Investimentos, empresa do senador Ciro Nogueira que leva suas iniciais. Finalmente, Vorcaro responde. 

– Sim -, devolve o banqueiro, que completa: – Tem que enviar muito importante [sic

A Polícia Federal acusa Vorcaro de pagar mensalmente cerca de R$ 300 mil a Nogueira através de transações entre as empresas, valor que teria subido a R$ 500 mil, de acordo com outras mensagens interceptadas, estas datas de janeiro de 2025. Felipe se queixou a Daniel dos altos valores aportados por ele para pagamentos do gênero, ao que Vorcaro, que estava na Venezuela, interpela o cunhado: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”. Felipe, então, confirma que irá atualizar os pagamentos. “Vou ver se dou um jeito aqui… Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

Ciro Nogueira entrou na mira da PF, primeiramente, pela apresentação da “emenda Master”, projeto protocolado pelo senador que previa o aumento de aportes do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Este incremento seria importante justamente por conta das fraudes do Banco Master, que vendia créditos podres e criou uma bolha no mercado financeiro – algo que o FGC reporia aos investidores. O texto foi redigido por assessores de Vorcaro.

Raimundo Neto e Silva Nogueira, irmão de Ciro, é o administrador formal da CNLF, pelo que foi arrolado na investigação e foi alvo de medidas restritivas, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados. A decisão ainda suspende as atividades econômicas de quatro empresas ligadas ao esquema: a CNLF e a BRGD, já citadas, além da Green Investimentos S.A. e a Green Energia. 

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