Mais de 150 pessoas participaram hoje de ato de solidariedade contra a violência no campo, viagra realizado em frente à sede da Ordem dos Advogados (OAB) em Maceió pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e os movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de Libertação dos Sem Terra (MLST) e Terra, Trabalho e Liberdade (MTL).
Do ato participaram representantes do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, padres e pastores religiosos. “O ato mostrou que a sociedade está preocupada e essa é uma luta de todos aqueles que acreditam em um amanhã melhor”, disse o coordenador da CPT no estado, Carlos Lima.
Uma carta denunciando ameaças de assassinato por parte de proprietários de terras da região foi lida e aprovada durante a manifestação. O documento será protocolado amanhã no Ministério Público estadual e federal, no Tribunal de Justiça e na sede do governo estadual. À tarde, representantes das entidades se reunirão com o secretário da Defesa Social de Alagoas, general Sá Rocha.
Segundo a CPT, lideranças de trabalhadores rurais no estado vêm recebendo ameaças por telefone. “Nós também recebemos e-mails de pessoas amigas alertando para um grupo que ameaça assassinar uma liderança”, disse o coordenador. Essas ameaças seriam em resposta à intervenção no cartório do município alagoano de Murici.
A intervenção ocorreu depois que cerca de 800 trabalhadores ligados a diversos movimentos ocuparam, no dia 25 de julho, a fazenda Boa Vista, do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL). A ordem de desocupação veio dois dias depois e os movimentos resolveram denunciar o cartório de Murici ao Tribunal de Justiça do estado, por ter “fama de fraudes em grilagens de terra”.
O procurador Sebastião Costa filho aceitou a denúncia e decretou intervenção no cartório por 90 dias, prorrogáveis por mais 30 dias. Com a investigação, segundo o coordenador da CPT, “os fraudadores e os latifundiários têm medo do que possa vir à tona”.