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Política & Poder

Toffoli nega irregularidades em sociedade familiar ligada ao caso Master

O ministro do STF explica participação em empresa que vendeu parte de resort a fundos do Banco Master, sob investigação, e afirma que declarações foram feitas à Receita.

Redação Jornal de Brasília

12/02/2026 11h34

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Foto: Antonio Augusto/STF

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota na manhã desta quinta-feira (12) explicando a sociedade do magistrado em uma empresa familiar que vendeu uma participação em um resort no Paraná a fundos ligados ao Banco Master.

Toffoli é o relator do inquérito que investiga fraudes financeiras no Banco Master, especialmente em uma tentativa frustrada de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal. A operação foi barrada pelo Banco Central.

A manifestação ocorre após a Polícia Federal (PF) alertar para possível suspeição de Toffoli em um relatório entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, em 9 de fevereiro. O documento cita menções ao ministro em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado. Fachin notificou Toffoli para se manifestar.

Na nota, o gabinete afirma que Toffoli é sócio da empresa Maridt, ao lado de irmãos e outros parentes. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, o ministro pode integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não exerça atos de gestão como administrador.

A participação da Maridt no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), foi vendida em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, para o fundo Arllen, e em 21 de fevereiro de 2025, para a empresa PHD Holding. Ambas as transações foram declaradas à Receita Federal. O inquérito sobre o Master chegou ao gabinete de Toffoli em novembro do ano passado, quando a Maridt já não tinha mais participação no resort.

A nota enfatiza que Toffoli nunca teve relação de amizade, muito menos íntima, com Daniel Vorcaro, e que jamais recebeu qualquer valor dele ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

Em nota anterior, divulgada na noite de quarta-feira (11), o gabinete de Toffoli qualificou o pedido de suspeição da PF como ‘ilação’ e destacou que a corporação não tem legitimidade para questionar a imparcialidade de magistrados. As explicações serão enviadas a Fachin.

O relatório da PF, cujo teor foi revelado pela imprensa, apresenta citações a Toffoli em conversas entre Vorcaro e Zettel, contador informal do banqueiro, relacionadas ao resort Tayaya.

Toffoli tem enfrentado questionamentos sobre sua relatoria do caso Master desde dezembro, quando foi revelada uma viagem dele em um jatinho particular com o advogado de um investigado. Decisões consideradas atípicas, como o envio direto de provas ao STF antes de perícia da PF – posteriormente revogado –, e a recente divulgação do negócio familiar com o resort intensificaram as pressões.

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